Presidente da CPI acusa Bolsonaro de prevaricar


Presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM) afirma que presidente não investigou denúncia (Agência Senado)

O presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), afirmou nesta sexta-feira (25) que o presidente Jair Bolsonaro prevaricou ao não mandar investigar a denúncia de suposto esquema de corrupção no Ministério da Saúde na compra de 20 milhões de doses da vacina indiana Covaxin, por R$ 1,6 bilhão. A afirmação foi feita logo após o senador governista Jorginho Melo (PL-SC) dizer que que Bolsonaro, assim que tomou conhecimento no dia 20 de março, levou o fato ao então ministro Eduardo Pazuello e o ministro realizou uma investigação acerca das supostas irregularidades.

"Dia 20 de março foi um sábado, e dia 23, terça-feira, Pazuello caiu, não era mais ministro. Como é que ele investigou e deu resposta ao presidente? Bolsonaro não mandou investigar nada. Ele mandou investigar hoje (esta sexta-feira). Para quem prega, joga flecha, joga pedra... ele prevaricou. O presidente prevaricou!", disse o presidente CPI, deixando claro que Bolsonaro, passível de sofrer processo de impeachment por crime de responsabilidade.

O servidor do Ministério da Saúde Luis Ricardo Miranda, irmão do deputado federal Luis Miranda (DEM-DF), confirmou em seu depoimento, nesta sexta, ter sofrido "pressão incomum" de seus superiores no ministério, inclusive nos fins de semana, para finalizar os trâmites de compra da Covaxin, vacina da farmacêutica indiana Bharat Biotech. A compra chegou a ser anunciada pelo governo federal em fevereiro, mas o negócio segue em aberto. Os irmãos disseram ter denunciado pessoalmente ao presidente Jair Bolsonaro suspeitas de irregularidades na compra do imunizante.

De acordo com o depoimento, o chefe imediato no departamento de importação mandava mensagens depois do expediente e nos fins de semana - prática incomum, de acordo com o servidor - alegando que estava em contato com representantes da empresa. Luis Ricardo se sentiu incomodado com a postura da chefia. Diante disso, decidiu comunicar seu irmão, o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF).

Luis Ricardo já havia relatado o caso em depoimento ao Ministério Público Federal (MPF) no final de março. O depoimento veio a público e a CPI decidiu ouvir o deputado e seu irmão.

Aos senadores, o deputado mostrou áudios do irmão, em conversas privadas dos dois, em março.

"Levei para a pessoa certa, que deveria dar o devido provimento ao assunto, que é o Presidente da República. Presidente este que não nega, e é impossível negar que nós estivemos com ele. Ele nos recebeu no sábado, por conta que eu aleguei que era urgente", disse o deputado, afirmando ainda que, ao saber das irregularidades, Jair Bolsonaro teria atribuído a culpa a um parlamentar, cujo nome ele disse não se recordar.

"O presidente entendeu a gravidade. Olhando nos meus olhos, ele falou 'isso é grave'. Não me recordo o nome do parlamentar, mas ele até citou um nome para mim, dizendo 'isso é coisa de fulano'. Ele [Bolsonaro] falou: 'vou acionar o DG [diretor geral] da Polícia Federal, porque, de fato, isso é muito grave, o que está ocorrendo", relatou o deputado.

Luís Miranda também revelou que além de Jair Bolsonaro, o filho 03, deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), também foi avisado sobre o possível esquema de corrupção.

Miranda contou ter conversado com Eduardo sobre o assunto no plenário da Câmara dos Deputados e, depois, ter enviado a ele o número de telefone de seu irmão.

O relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), perguntou ao servidor se Eduardo havia entrado em contato com ele para tomar conhecimento do caso. Luis Ricardo negou.


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