Presidente de CPI recebeu R$ 40 milhões de verbas do governo


Presidente Jair Bolsonaro e o deputado Arthur Lira, candidato do governo à presidência da Câmara (Reprodução)

Praticamente na véspera das eleições para presidência da Câmara dos Deputados, que ocorrerá nesta segunda-feira (1º), o senador baiano Angelo Coronel (PSD) recebeu sinal verde do governo para direcionar R$ 40 milhões de recursos extras do orçamento para obras em seu reduto eleitoral. Angelo Coronel faz parte de um grupo de 285 parlamentares (250 deputados e 35 senadores) aos quais o governo federal destinou R$ 3 bilhões para aplicarem em obras nos seus redutos eleitorais, em meio à disputa pela presidência da Câmara e do Senado, segundo denunciou o jornal Estado de São Paulo.

Angelo Coronel é o presidente da CPI que investiga as fakenews no Congresso com forte potencial de atingir o governo do presidente Jair Bolsonaro. A verba que lhe foi direcionada consta na planilha informal do governo com os nomes dos parlamentares que receberiam "recursos extras", além dos que eles já têm direito de direcionar, obtida pelo Estadão, que registra o repasse de R$ 3 bilhões.

No Congresso, Coronel se define independente. Porém, seu partido, o PSD, confirmou em diversas ocasiões seu compromisso com os dois candidatos defendidos pelo presidente Jair Bolsonaro: Arthur Lira na Câmara, e Rodrigo Pacheco, no Senado.

Na quarta-feira (27), Bolsonaro disse que “se Deus quiser vai participar e influir na presidência da Câmara”. Ele defende a eleição de Arthur Lira (Progressistas-AL) para a presidência da Câmara, e de Rodrigo Pachego (DEM-MG), para o Senado. A oferta de recursos foi feita no gabinete do ministro Luiz Eduardo Ramos, que segundo o Estadão, virou o QG dessas candidaturas.

Segundo a publicação, além de verbas, o governo também tem oferecido cargos a quem aceite votar nos dois nomes do governo, segundo relatos de parlamentares.

De acordo com o placar da eleição, estimado pelo jornal, dos 208 deputados que declararam apoio a Lira, 125 estão na planilha da Secretaria de Governo. Na comparação com o placar da eleição para o Senado, dos 33 votos declarados para Pacheco, 22 nomes de senadores aparecem na planilha.

Segundo a reportagem, apenas o PSD, do senador Angelo Coronel, recebeu cerca de R$ 600 milhões.

O senador afirmou que não há qualquer relação entre o direcionamento de recursos e as eleições do Congresso. "É minha obrigação, como parlamentar, correr atrás de obras para o meu estado. É normal, mas em nenhum momento foi em troca de votação", disse Coronel, numa alusão à política do "toma lá, dá cá", uma prática contumaz dos partidos do centrão, do qual ele faz parte.

O senador Angelo Coronel já foi acusado de gastar R$ 566 mil em recursos públicos com empresas de comunicação que pertencem a seus familiares e a um ex-assessor. Os gastos, com recursos da cota parlamentar, foram feitos entre 2015 e 2018, período em que o senador era deputado estadual na Bahia.

"Centrão do B (de Bolsonaro)"

O Centrão é um bloco informal na Câmara dos Deputados que reúne parlamentares de legendas de centro e centro-direita. De raras bandeiras, o grupo é mais conhecido por se aliar a governos diferentes, independentemente da ideologia, em troca de indicar aliados para cargos no governo e de receber emendas parlamentares - o chamado "toma lá, dá cá".

Os votos desse bloco podem corresponder até à metade dos 513 parlamentares e serem decisivos na aprovação ou rejeição de uma matéria.

As negociações de Bolsonaro com o Centrão se ampliaram depois da abertura de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) com base nas declarações do ex-ministro Sérgio Moro de que Bolsonaro tentou interferir na Polícia Federal. Com esse envolvimento, Bolsonaro tenta garantir uma base aliada, agora chamada de "Centrão do B (de Bolsonaro)", que possa barrar um eventual processo de impeachment.

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