Presidente do STF repudia ameaça de Bolsonaro às eleições


Luiz Fux, presidente do STF, e Jair Bolsonaro (Foto: Marcos Corrêa/PR)

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, reagiu nesta terça-feira (19) às declarações do presidente Jair Bolsonaro (PL) sobre as urnas eletrônicas.

Fux se reuniu por videoconferência com o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Edson Fachin, e reafirmou a confiança do STF no processo eleitoral brasileiro um dia depois de Bolsonaro voltar a dizer que o sistema seria passível de fraude.

Segundo nota divulgada pelo STF, Fux classificou como uma tentativa de colocar em xeque o processo eleitoral o encontro de Bolsonaro com embaixadores para expor críticas às urnas eletrônicas.

"Em nome do STF, o Ministro Fux repudiou que, a cerca de 70 dias das eleições, haja tentativa de se colocar em xeque mediante a comunidade internacional o processo eleitoral e as urnas eletrônicas, que têm garantido a democracia brasileira nas últimas décadas", diz a nota do STF.

A reunião de Bolsonaro com embaixadores foi criticada também pelo presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (PSD), na segunda-feira (18).

"A segurança das urnas eletrônicas e a lisura do processo eleitoral não podem mais ser colocadas em dúvida. Não há justa causa e razão para isso. Esses questionamentos são ruins para o Brasil sob todos os aspectos. O Congresso Nacional, cuja composição foi eleita pelo atual e moderno sistema eleitoral, tem obrigação de afirmar à população que as urnas eletrônicas darão ao país o resultado fiel da vontade do povo, seja qual for", disse Pacheco, no Twitter.

Já o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), aliado do governo e um dos condutores do orçamento secreto, permanece calado diante dos ataques de Bolsonaro.

Na segunda-feira (18), Fachin rebateu críticas ao sistema eleitoral, sem mencionar diretamente o presidente da República. O presidente do TSE disse que o pleito está sendo "achatado por narrativas nocivas que tensionam o espaço social, projetando uma teia de rumores descabidos, que buscam, sem muito disfarce, diluir a própria República e a constitucionalidade”.

"Em meio a um debate desvirtuado e a um clima comunicativo adoecido, recusemos a cólera. Vamos promover diálogos racionais e ponderados, e propiciar que todos os candidatos possam apresentar as suas ideias", declarou Fachin.


Com a Sputnik

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