Prevent Senior faz acordo e admite que mentiu sobre cloroquina


(Reprodução)

Apontada pela CPI da Covid pela prática de diversos crimes durante a pandemia, a operadora de saúde Prevent Senior fechou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) divulgado nesta segunda-feira (29) em que admite ter mentido sobre a suposta eficácia da cloroquina e hidroxicloroquina contra a covid-19 e reconhece que não existe o que ficou conhecido como tratamento precoce ou kit covid.

No documento consta que a Prevent Senior "não obteve autorização do Conselho Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP) para a realização de estudos científicos envolvendo a cloroquina e a hidroxicloroquina".

“Os resultados divulgados pela empresa ou por terceiros acerca da eficácia da cloroquina e hidroxicloroquina não correspondiam efetivamente a uma pesquisa científica, limitando-se a dados obtidos internamente para fins estatísticos, sem qualquer tipo de viés científico”, afirma trecho de comunicado envidado pela Prevent a seus associados.

"Inexiste a conclusão de qualquer pesquisa científica realizada pela Prevent Senior que conclua pela eficácia da cloroquina e da hidroxicloroquina ou de demais medicamentos do denominado “kit Covid”, para tratamento da covid-19", prossegue o comunicado, acrescentando ainda: "Inexiste qualquer pesquisa científica realizada pela Prevent Senior que ateste a eficácia de algum tipo de tratamento precoce ou preventivo para pacientes suspeitos, confirmados ou mesmo sem covid-19."

A operadora é investigada por suspeitas da morte de nove pacientes que foram submetidos a tal pesquisa com o uso de medicamentos com cloroquina. Pesquisa que foi defendida pelo presidente Jair Bolsonaro, em abril de 2020, em redes sociais, para reforçar seu discurso favorável ao uso de cloroquina para tratamento da doença. O estudo também foi apoiado e divulgado nas redes sociais pelos filhos de Bolsonaro, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ).

Em depoimentos à CPI, médicos da Prevent Senior relataram pressão por alta precoce de pacientes para diminuir custos e liberar leitos. Médicos denunciaram também que a diretoria da operadora os obrigou a trabalhar infectados com covid-19 e a receitar medicamentos sem eficácia para pacientes.

Os crimes imputados à empresa no relatório da CPI são tentativa de homicídio, perigo para a vida ou saúde de terceiros, falsidade ideológica, omissão de notificação de doença e crime contra a humanidade.

O comunicado do plano de saúde diz que a empresa “segue colaborando com as investigações conduzidas pelas autoridades competentes no contexto de sua atuação frente à pandemia da covid-19".

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