Prisão, o próximo capítulo da novela Flordelis

Por José Messias Xavier


Cleia Viana / Agência Câmara

A cassação do mandato de Flordelis, por maioria esmagadora na Câmara Federal – 437 votos a favor, sete contra e 12 abstenções –, abre caminho para sua prisão, pois ela perdeu os privilégios conferidos pelo cargo de deputada. Como todos os demais envolvidos no assassinato do pastor Anderson do Carmo e em seus desdobramentos já estão atrás das grades, a missionária pode receber a qualquer momento a visita dos policiais com suas algemas.

Flordelis, durante todo o inquérito policial e ao longo do processo criminal instaurado na 3ª Vara Criminal de Niterói, negou qualquer envolvimento no homicídio do marido, ocorrido em junho de 2019. Na fase de depoimentos, na Justiça e na Comissão de Ética da Câmara, a filha biológica da missionária, Simone dos Santos Rodrigues, assumiu ter sido a idealizadora e financiadora do crime, pois, segundo afirmou, era assediada sexualmente pelo pastor.

No entanto, as provas reunidas pelos investigadores estaduais e membros do Ministério Público do Rio, vinculando Flordelis ao assassinato, pesaram na decisão de seus pares no Congresso Nacional, que optaram por cassar seu mandato, assim como na decisão da juíza Nearis dos Santos Carvalho Arce, que decidiu levá-la a júri popular como mandante do crime.

Para a cassação, eram necessários apenas 257, mas foram registrados quase 200 votos a mais do que isso favoráveis à perda do mandato.

Flordelis, que foi afastada do cargo por decisão do Conselho de Ética em junho, participou da sessão presencialmente e reafirmou sua inocência.

"Quando o tribunal do júri me absolver, vocês vão se arrepender de ter cassado uma pessoa que não foi julgada", disse a deputada.

Relator do processo, o deputado Alexandre Leite (DEM-SP) disse que as provas já obtidas mostram que a deputada teve participação ativa no planejamento da morte de Anderson do Carmo. O deputado destacou que Flordelis usou o mandato parlamentar para coagir testemunhas, ocultar provas e obstruir investigações, mas que que coube à Câmara analisar apenas a parte ética.

"Aqui, nós nos ativemos às questões meramente ético-disciplinares que regem o mandato parlamentar", afirmou o relator.

Toda Palavra_Banner_300x250_Celular.gif
1/3
NIT_728x90-03.gif
NIT_300x250-01.jpg