Produtora do filme de Bolsonaro é alvo da polícia em SP
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A Polícia Civil de São Paulo faz na manhã desta segunda-feira (1º) a Operação Wi-Fi Livre no Instituto Conhecer Brasil, organização não governamental (ONG) de propriedade de Karina Ferreira da Gama, da produtora Go UP, que produziu o filme Dark Horse (Azarão, na tradução do inglês), sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A ONG é suspeita de fraude em contrato com a prefeitura de São Paulo para a instalação de uma rede de wi-fi gratuita em comunidades da cidade. Há suspeitas na contratação e na execução dos serviços.O contrato com a prefeitura tem validade até o fim de 2026.
Segundo o Globo, documentos de processos administrativos da administração municipal apontam que o valor total do contrato alcançou R$ 143 milhões após um aditivo assinado em dezembro de 2025. A ampliação ocorreu mesmo depois de a área técnica da Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia apontar uma "irregularidade grave" na prestação de contas da entidade.
Antes da assinatura do aditivo, a ONG já havia recebido R$ 93,5 milhões. Com a ampliação, a administração municipal comprometeu-se a repassar mais R$ 49,2 milhões ao longo deste ano. Atualmente, os pagamentos mensais à organização somam cerca de R$ 4,1 milhões.
Segundo investigação do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil, a organização teria de instalar 5 mil pontos públicos de acesso ao wi-fi nas periferias da capital paulista no prazo de 12 meses. De acordo com os dois órgãos, foram instalados até agora 3.200 pontos.
A ONG teria apresentado pelo menos R$ 16,5 milhões em notas fiscais consideradas irregulares à prefeitura para justificar as despesas do contrato.
O instituto de Karina é o principal alvo da operação, mas também são cumpridas diligências em outras empresas que teriam sido subcontratadas. A polícia fez ainda buscas na Secretaria Municipal para obter os contratos, as prestações de contas e os documentos relacionados ao termo de colaboração.
São cumpridos nesta manhã oito mandados de busca e apreensão para recolher documentos físicos e digitais, equipamentos eletrônicos, registros financeiros e outros materiais.
O senador Flávio Bolsonaro, que pediu R$ 61 milhões ao empresário Daniel Vorcaro para financiar o longa-metragem Dark Horse, se manifestou sobre a operação de hoje em São Paulo. Em evento no Rio de Janeiro, o político disse que “a operação não tem nada a ver com o filme”.
O portal Intercept Brasil revelou que Vorcaro repassou R$ 61 milhões dos R$ 134 milhões que seriam destinados à produção do longa-metragem. A Polícia Federal investiga se parte do dinheiro foi usado para financiar gastos do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos.
“Há consistentes suspeitas de confusão patrimonial [entre o instituto e a produtora] e de que os recursos públicos do programa WiFi Livre SP tenham sido desviados para custear as atividades de produção do referido filme, utilizando as contas das empresas subcontratadas e das demais organizações sociais geridas pela investigada para a lavagem dos valores desviados do erário de São Paulo”, diz relatório da Polícia Civil.
A prefeitura de São Paulo divulgou nota em que “repudia veementemente ilações de desvio de recursos públicos. O contrato com o Instituto Conhecer Brasil seguiu rigorosamente os princípios da legalidade, transparência e economicidade”.










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