Protesto nos EUA agora é resposta a Trump pela Covid


Ao menos 40 cidades dos EUA em 16 estados impuseram toque de recolher para tentar conter o avanço dos protestos desencadeados pelo assassinato de George Floyd em 25 de maio.

Segundo o analista Patricio Zamora em entrevista concedida à Sputnik Mundo, a revolta é uma "resposta à grande tensão socioeconômica pela gestão desastrosa de Trump da crise da COVID-19". Além do mais, o analista assegurou que existem mais de quatro mil pessoas detidas.

Os protestos pelo assassinato do afro-americano George Floyd se intensificaram neste fim de semana e chegaram inclusive às portas da Casa Branca.

Consequentemente, ao menos 40 cidades norte-americanas decretaram toque de recolher, "afetando 50 milhões de norte-americanos", explicou Patricio Zamorano, analista internacional e diretor-executivo da consultoria InfoAmerica.

Além de possuírem um caráter antirracista, Zamorano assegurou que os protestos expressam "a grande tensão socioeconômica" provocada pela gestão "desastrosa" que o governo de Donald Trump está executando em relação à crise do coronavírus.

"Há de 30 milhões a 40 milhões de pessoas desempregadas e uma situação de fome que começa a ser sentida nas cidades, inclusive entre a classe média. A situação é crítica: pessoas de classe média e baixa fazem filas por horas por um prato de comida", agregou.

Trump criticou o movimento Antifa (antifascismo), o acusando de ter organizado os protestos e o colocando na lista de grupos terroristas. "Se trata de uma manipulação: esta não é uma onda de protestos organizada pelo Antifa", afirmou o especialista.

"Este grupo de esquerda progressista tem como objetivo enfrentar nas ruas os grupos supremacistas brancos. Acusá-los dos protestos provocados pelo mal-estar social é uma estratégia de comunicação de Trump para minimizar a verdadeira razão dos protestos", comenta Zamorano.

O analista salientou a hipocrisia do presidente dos EUA ao recordar que "há duas semanas havia grupos supremacistas brancos protestando contra o isolamento social e estas manifestações organizadas por grupos de extrema-direita foram comemoradas por Trump".

De acordo com Zamorano, "existem mais de 320 milhões de armas privadas nos EUA e existem muitos grupos armados e milícias com treinamento militar", motivo pelo qual "se a crise do coronavírus seguir sua má administração, pode haver o transbordamento da violência".

Por outro lado, comentou que Trump se vê impedido de fazer campanha para reeleição em novembro e está sendo "prejudicado pelas sondagens".

Seu adversário democrata, Joe Biden, não pôde capitalizar seu apoio, mas tem uma vantagem de dois a cinco por cento".

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