QG da propina: celular escondido foi a prova principal


Prefeito do Rio, Marcelo Crivella, e o empresário Rafael Alves, visitando Jerusalém, em Israel (Reprodução)

Um dos quatro celulares do empresário Rafael Alves apreendido pela Polícia Civil e o Ministério Público do Rio (MP-RJ) foi a principal prova das investigações, que revelaram uma suposta existência de um "QG da propina" na Prefeitura do Rio tendo o prefeito Marcelo Crivella em seu núcleo. O celular foi encontrado escondido entre uma pilha de roupas na casa de Rafael, que já foi casado com Shanna Harrouche Garcia, filha do bicheiro Waldemir Paes Garcia, o Maninho. Foi o aparelho, inclusive, que tocou com Crivella do outro lado da linha, sendo atendido por um delegado das investigações e desligando rapidamente ao perceber que não era Rafael.

Entre os quatro celulares, apenas um deles foi entregue espontaneamente pelo empresário. Outros dois estavam dentro de um carro estacionado próximo à casa, com joias, relógios e uma bolsa com R$ 50 mil. Rafael alegou que que tudo pertencia a Shanna, sua ex-mulher.

Pela análise dos telefones, os investigadores verificaram que o prefeito e o empresário trocaram 1.949 mensagens entre maio de 2016 e março deste ano, quando houve a primeira operação que prendeu Rafael. Parte do conteúdo foi apagada, mas foi recuperado pela polícia.

"Muito além da Riotur"

Os investigadores suspeitam que o suposto esquema de corrupção na prefeitura tenha se expandido para muito além da Riotur. Análises de trocas de mensagens, contratos firmados e pagamentos realizados apontam, segundo as investigações, para a existência do esquema em pelo menos 20 órgãos da prefeitura, incluindo o gabinete do prefeito e secretarias como as de Saúde e Educação. Os dados constam na representação do MP por busca e apreensão em endereços de Crivella, aos quais o jornal O Globo teve acesso. Os mandados foram cumpridos na última quinta-feira (10).

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