'Quebra desleal de compromisso' de Bolsonaro cria crise na PF

Atualizado: 19 de abr.


(Foto: Marcos Corrêa/PR)

Após o anúncio do reajuste de 5% divulgado pelo governo para os servidores públicos federais na última quinta-feira (14), que inclui os agentes da Polícia Federal, a corporação, através de uma nota da Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal, reagiu negativamente ao montante anunciado e chamou o valor de "quebra desleal de compromisso", uma vez que a categoria se mostrou ao longo destes anos como das mais fieis ao presidente Jair Bolsonaro (PL).

Entretanto, o que parecia ser uma ação isolada dos delegados federais se avizinha ser início de uma crise jamais imaginada pelo presidente. De acordo com o Globo, soma-se aos delegados, uma outra ala poderosa da instituição que passou a defender uma postura de ruptura com Bolsonaro devido à quebra de compromisso em relação ao aumento salarial e outras pautas pretendidas.

Na mesa estão propostas sobre como pressionar pela renúncia do ministro da Justiça, Anderson Torres, que também é delegado da PF, e ainda pedir que o diretor-geral do órgão, Márcio Nunes, entregue o cargo.

Grande parte da corporação defende que os policiais tornem públicas outras promessas não cumpridas por Bolsonaro, como a reestruturação das carreiras e a entrada única (entrada pela base da categoria e crescimento profissional por mérito e capacitação), e rompam de vez com Jair Bolsonaro.

Em comunicado aos seus membros, a Federação Nacional dos Policiais Federais (FENAPEF), que é a maior entidade sindical da PF, também convocou uma assembleia para debater a reestruturação prometida e não atendida pelo governo.

No texto, a FENAPEF orienta que os 27 sindicatos estaduais ligados a ela "estejam em estado de alerta, mobilização e prontidão, para os possíveis desdobramentos da próxima semana, que poderão incluir: deslocamentos a Brasília e/ou movimentos reivindicatórios nos respectivos estados".

Associações de delegados e de agentes da PF marcaram reuniões nesta terça-feira (19) para deliberarem sobre quais medidas tomarão diante desse cenário, ainda de acordo com o Globo.

Além de não ver o governo atender as principais pautas da categoria, a PF mantinha expectativa para o reajuste, esperando que o mesmo fosse entre 16% e 20%, considerando as perdas salariais desde a reforma da previdência.

No final do ano passado, Bolsonaro chegou a assumir publicamente o compromisso com a categoria para corrigir o que chamou de "injustiças". Ao não cumprir o que prometeu, o presidente gerou uma grande onda de indignação na corporação.

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