Rússia e México enviam assistência humanitária a Cuba


Além do aumento de casos de covid, Cuba enfrenta crise econômica e sanções dos EUA (Reprodução)

A Rússia enviou mais de 88 toneladas de assistência humanitária a Cuba, neste sábado (24), em meio ao agravamento da pandemia do coronavírus no país. A assistência humanitária inclui alimentos e equipamento de proteção individual, como 1 milhão de máscaras faciais, para enfrentar a emergência sanitária.

Dois aviões de transporte militar partiram da Rússia com a ajuda para Cuba, informou o Ministério da Defesa russo.

"Por ordem do comandante-em-chefe das Forças Armadas da Rússia, Vladimir Putin, aviões de transporte militar realizam a entrega de assistência humanitária à República de Cuba", afirma um comunicado do ministério.

O anúncio do governo russo ocorre após protestos golpistas no país, apoiados pelo presidente dos EUA, Joe Biden. Apesar da reação, com milhares de manifestantes contra o golpe nas ruas, a situação ocorrida em Cuba foi inédita e se deu pelo aproveitamento do agravamento da situação econômica durante a pandemia.

As autoridades cubanas afirmaram que nesta sexta-feira (23) foram registrados 7.784 novos casos do coronavírus nas últimas 24 horas, um recorde no país.

Assistência mexicana

Numa medida que chamou de “solidariedade internacional”, o presidente do México, López Obrador, anunciou que enviará suprimentos médicos, alimentos e combustíveis para ajudar a ilha.

O presidente mexicano se manifestou contra o “intervencionismo” na crise cubana e defendeu o levantamento do embargo dos Estados Unidos à ilha, em vigor há seis décadas.

O carregamento mexicano inclui seringas, cilindros de oxigênio para tratar o vírus e máscaras faciais, além de alimentos e óleo diesel.

No início deste ano, com o país sem crise sanitária, o governo de Cuba enviou brigadas médicas ao México para ajudar no combate à pandemia.

Lula pede fim do bloqueio econômico

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma carta pedindo para que o presidente dos Estados Unidos interrompa imediatamente o bloqueio econômico a Cuba. Além de Lula, mais de 400 ex-chefes de estado, políticos, intelectuais, cientistas, religiosos, artistas, ativistas e movimentos sociais de todo o mundo assinaram o documento.

Entre os signatários do “Let Cuba Live” (Deixe Cuba Viver), estão Jane Fonda, Susan Sarandon, Emma Thompson, Danny Glover, Wagner Moura, Mark Ruffalo, Judith Butler, Noam Chomsky, Gayatri Spivak, Adolfo Pérez Esquivel, Rafael Correa e movimentos como o Black Lives Matter (EUA) e o MST.

“Consideramos inescrupuloso, especialmente durante uma pandemia, bloquear intencionalmente as remessas e o uso de instituições financeiras globais por parte de Cuba, visto que o acesso a dólares é necessário para a importação de alimentos e medicamentos”, diz a carta.

Além de manter o bloqueio econômico, o governo Biden anunciou que vai impor sanções às forças militares cubanas e aos oficiais do Ministério do Interior do país. Biden disse que as sanções dos EUA contra Cuba são “apenas o início”, e afirma que Washington continuará a sancionar os responsáveis pela suposta opressão do povo cubano.

Durante seu mandato, o então presidente Barack Obama tentou alterar o rumo das políticas americanas sobre Cuba, reabriu a embaixada do país em Havana e visitou a ilha pessoalmente. Mas seu sucessor Donald Trump reverteu essa aproximação.

Biden prometeu na campanha eleitoral de 2020 desfazer algumas das políticas de Trump para Cuba, mas o anúncio desta quinta indica que, na prática, não será assim. E os interesses capitalistas dos EUA continuarão ditando as relações entre os dois países.



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