Rússia: Ucrânia se dispõe a cumprir exigências de Moscou


(Reprodução)

O líder da delegação russa nas negociações com Kiev, Vladimir Medinski, declarou nesta quarta-feira (30), 35º dia da invasão à Ucrânia, que durante as conversações dessa terça-feira (29) as autoridades ucranianas afirmaram sua disposição de negociar com a Rússia pela primeira vez em todos esses anos.

"Ontem, o lado ucraniano declarou pela primeira vez - e por escrito - sua disposição para cumprir uma série de condições cruciais para construir relações normais e, espero, de boa vizinhança com a Rússia no futuro", disse Medinski, de acordo com a agência RT.

"Se esses compromissos forem cumpridos, a ameaça da criação de um trampolim da OTAN em território ucraniano será removida", acrescentou.

As propostas entregues ao lado russo que a Ucrânia está disposta a incluir em um possível futuro acordo preveem:

- a recusa da Ucrânia em aderir à OTAN;

- um status 'não alinhado' da Ucrânia;

- a recusa da Ucrânia em desenvolver e adquirir armas nucleares;

- a recusa da Ucrânia de implantar bases e contingentes militares estrangeiros em seu território;

- realizar exercícios militares com participação estrangeira apenas em acordo com os garantidores do Estado [Conselho de Segurança da ONU e outros países], incluindo a Rússia.

O negociador russo também destacou, segundo a RT, que, após o "golpe de estado" na Ucrânia em 2014, Moscou passou anos apresentando suas demandas a Kiev e "seus patrocinadores, principalmente os EUA". e propôs negociar diferentes acordos "que deveriam garantir tanto a segurança da Ucrânia quanto a proteção dos interesses nacionais da Rússia", mas o governo ucraniano ignorou "todas essas exigências".

Medinski também reiterou a posição de Moscou de que "todos esses anos, o regime de Kiev realizou um genocídio flagrante contra o povo de Donbass" e assegurou que "há provas irrefutáveis" de que o governo ucraniano "planejou lançar uma ofensiva contra Donbass".

"De qualquer forma, a Rússia teria sido forçada a sair em defesa das dezenas de milhares de nossos cidadãos russos que residem lá", disse ele. "Nessas condições, a Rússia foi forçada a lançar uma operação militar especial", defendeu Medinski.

Embora as partes já tenham conseguido chegar a um acordo sobre um documento preliminar "a um nível bastante elevado", as negociações continuam, acrescentou. "Enfatizo que a posição de princípio de nossa parte em relação à Crimeia e Donbass permanece inalterada", disse ele.

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