Randolfe quer que Bolsonaro responda por 'traição à pátria'


A repercussão do pedido do presidente Jair Bolsonaro para que o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, o ajude a vencer Lula nas eleições de outubro é a pior possível no Brasil. O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) anunciou neste domingo (12) que vai apresentar uma notícia-crime ao Supremo Tribunal Federal (STF) e defendeu que Bolsonaro "devia ser afastado do cargo imediatamente e responder por traição à pátria". No Itamaraty, sede da diplomacia brasileira, a atitude do presidente gerou "constrangimento e vergonha", conforme o jornalista Jamil Chade, do portal UOL.

"Darei entrada em notícia-crime sobre isso, pedindo investigação ao Supremo Tribunal Federal (STF), e ao mesmo tempo cabe mais um pedido de impeachment", afirmou o senador, conforme a coluna de Chico Alves, no mesmo portal.

Segundo Randolfe Rodrigues, "seja na legislação norte-americana ou na legislação brasileira, ele devia ser afastado do cargo imediatamente e responder por traição à pátria”. O senador acrescentou ainda que Jair Bolsonaro "não é digno de ocupar o cargo que ocupa, nem de falar em nenhum lugar em nome do Brasil".

No Itamaraty, segundo Jamil Chade, o pedido de Bolsonaro foi visto por alguns dos principais diplomatas brasileiros como uma "afronta" à soberania nacional e viola até mesmo os princípios de independência. "O constrangimento foi ainda maior depois que a reação do governo americano foi, ao ouvir o pedido, de simplesmente mudar de assunto", escreve o jornalista.

De acordo com o jornalista, que atuou como correspondente de veículos brasileiros por 20 anos na Europa, "a manobra também foi interpretada como uma jogada do brasileiro na busca por uma aliança que o salve de uma derrota”.

"Uma das interpretações na chancelaria é de que Bolsonaro tentou se apresentar ao presidente americano, tal como era perante Trump, como a melhor escolha para os interesses norte-americanos na região. Isso inclui privatizações, assinatura de acordos de defesa como a parceria na OTAN e compra de equipamentos militares, além de uma promessa de alinhamento. Isso, claro, desde que os americanos o apoiem”, acrescentou.

"Diante de um comportamento como o de Bolsonaro, os americanos ficam diante de um dilema: defender a democracia brasileira ou seus próprios interesses."

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