Realidade e ficção: 'Capitão Kirk' vai ao espaço, aos 90 anos


(Reprodução)

O ator William Shatner, famoso por interpretar o Capitão Kirk nos filmes e na série de ficção científica Jornada nas Estrelas, viveu nesta quarta-feira (13) sensações vividas até então pelo seu personagem. Ele foi um dos quatro tripulantes da segunda viagem de turismo espacial Blue Origin, de propriedade do bilionário Jeff Bezos.

A decolagem do foguete New Shepard NS-18 ocorreu às 11h50 e teve duração de 10 minutos - bate e volta. Aos 90 anos, Shatner se tornou a pessoa mais idosa a ir ao espaço, superando Wally Funk, de 82 anos, que participou da decolagem inaugural com Bezos. A aventura foi transmitida ao vivo pelo canal do Youtube da Blue Origin.

O foguete é totalmente automatizado e reutilizável. Ele decola verticalmente, com uma cápsula que se desprende durante o voo. Na viagem, os tripulantes ultrapassaram a chamada linha de Karman, o limite reconhecido internacionalmente entre a atmosfera terrestre e o espaço, a uma altitude de 100 quilômetros. A experiência durou exatos 10 minutos.

Além do ator, estavam a bordo mais três passageiros: Chris Boshuizen, antigo engenheiro da agência espacial norte-americana (Nasa) e cofundador da empresa Planet Labs, que tira fotografias de alta resolução da Terra, utilizando satélites; Glen de Vries, cofundador da Medidata Solutions, empresa de software para a indústria farmacêutica; e Audrey Powers, responsável pelas operações de voo e manutenção de foguetes da Blue Origin.

Esta foi a segunda viagem com passageiros da Blue Origin, após o voo realizado em julho com Jeff Bezos a bordo.

'Impressionante como é fina a camada de oxigênio'

Logo que desceu da cápsula, Shatner começou a relatar a sua experiência para Bezos: "Eu espero nunca me recuperar disso [...] é muito maior do que eu e do que a vida", disse. "O que você proporcionou para mim foi a mais importante e profunda experiência", acrescentou o ator.

“Todos no mundo precisam sentir isso. Foi inacreditável. Rapidamente, o céu deixa de ser azul e escurece, e ao olhar para baixo é a Terra que fica azul. Nunca esperei [essas mudanças de cores]. Um azul que vai ficando tão claro e, em um minuto, fica escuro. De repente, se atravessa o azul e se passa a ver o escuro, enquanto a luz está lá embaixo”, disse o ator que, pela primeira vez, experimentou uma sensação real de seu personagem mais famoso.

A experiência proporcionou a ele reflexões filosóficas sobre a fragilidade da vida. “Impressionante como é fina a camada de oxigênio de nosso planeta. Lá em cima vi que fora dela o que haveria [se não fosse o oxigênio da cabine] seria morte”. “É muito importante que todos tenham essa experiência. Foi a mais profunda de toda minha vida. Espero que nunca me recupere do que senti há pouco”.

Shatner acrescentou que a sensação em voo é “muito mais forte do que a simulação”, em especial no estômago, e que isso é assustador.

A cápsula que levou o ator de Jornada nas Estrelas ao espaço nesta quarta-feira (Foto: Blue Origin/Divulgação)

300x250px.gif
728x90px.gif