Receita vê sonegação e suspeita de propina de Ciro Nogueira


Senador Ciro Nogueira foi escolhido por Bolsonaro para ministro da Casa Civil (Edilson Rodrigues/Agência Senado)

Além de responder a dois inquéritos sigilosos por suspeitas de receber propina, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), um dos principais líderes do Centrão e nomeado pelo presidente Jair Bolsonaro nesta quarta-feira (28) como novo ministro da Casa Civil, se vê às voltas também com inquéritos na Receita Federal de cobranças que somam R$ 17 milhões. Os autos de infração, segundo a Receita, foram lavrados nos anos de 2017 e 2018. As informações são do Globo.

Ao analisar as contas bancárias do senador piauiense e suas empresas, o Fisco identificou uma série de depósitos em espécie sem a identificação da origem dos recursos e pagamentos de despesas com dinheiro vivo, com suspeita de sonegação e lavagem de dinheiro. Auditores fiscais detectaram, por exemplo, 20 depósitos em dinheiro vivo na conta do líder do Centrão, no total de R$ 60 mil. A Receita pediu esclarecimentos ao senador sobre a origem desse dinheiro, mas não recebeu resposta.

“Tais fatos reforçam o entendimento de que o contribuinte recebeu montantes em espécie e não os declarou ao Fisco. Por sua vez, a existência de depósitos de pequena monta fracionados na mesma data ou em datas próximas também indicam que o contribuinte buscava ocultar o recebimento de propina em espécie”, escreveram os auditores.

O Fisco também analisou compras de imóveis feitas pelas empresas do senador, presidente do Partido Progressista (PP). Numa das transações, a escritura registrava o valor de R$ 1 milhão na compra de um imóvel, mas auditores constataram que o valor real pago teria sido de R$ 2,2 milhões.

Nogueira também foi alvo de inquéritos da Lava Jato sobre suposto pagamento de propina de R$ 6,4 milhões pelas empresas JBS e UTC, sob investigação no Supremo Tribunal Federal (STF). O senador sempre negou ter cometido qualquer crime.

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