'Rei do ouro' frequentava altas rodas do Planalto

Atualizado: 7 de mai.


(Foto: Divulgação/Governo MT)

A carga de 78 quilos de ouro apreendida pela Polícia Federal (PF) em São Paulo na quarta-feira (5) pertenceria ao empresário Dirceu Frederico Sobrinho, dono da empresa de ouro FD Gold, que é filiado ao PSDB e concorreu como suplente de senador pelo Pará em 2018, conforme divulgou a Folha de S. Paulo. Mais reveladora ainda é a informação, divulgada pela Veja nesta sexta-feira (6), que a empresa de Dirceu é suspeita de vender ouro extraído de garimpos ilegais, e o empresário já esteve reunido com membros do alto escalão do governo Bolsonaro - recebido até pelo vice-presidente da República, general da reserva Hamilton Mourão.

Nos últimos tempos, Dirceu Frederico foi recebido por quatro integrantes do primeiro escalão de Bolsonaro para tratar dos interesses dos garimpeiros. O "rei do ouro" - assim chamado em uma rede social pelo filho 03 do presidente, deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) - esteve em reuniões, além de Mourão, com o então ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, o ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles e o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno.

O empresário tem farto histórico de suspeitas de comércio ilegal de ouro, e, no ano passado, o Ministério Público Federal pediu a suspensão da FD Gold sob acusação de despejar no mercado mais de uma tonelada de ouro extraído de garimpos ilegais da Amazônia.

Uma outra empresa de Dirceu, a D’Gold, já tinha sido alvo de operações contra a lavagem de ouro clandestino por parte da PF e do Ministério Público Federal (MPF), em 2018, que resultaram em bloqueios judiciais de valores que, somados, ultrapassaram R$ 186 milhões. O empresário foi um dos atingidos pelas decisões que sequestraram o dinheiro obtido na atividade aurífera.

Envolvidos confirmam

Os 78 quilos do metal precioso foi avaliado em cerca de R$ 23 milhões. Foram transportados no avião particular turboélice King Air que pousou no Aeroporto Estadual de Sorocaba, na última terça-feira. A PF, que já monitorava o avião, esperou que os seis ocupantes da aeronave que escoltavam a carga descarregassem três malas e as pusessem em dois veículos, que foram parados a altura do km 74 da Rodovia Castelo Branco no sentido da capital paulista com o apoio da Polícia Militar Rodoviária.

Quatro policiais militares faziam parte da escolta da carga apreendida. Um deles era oficial da Casa Militar do governo de São Paulo, responsável pela segurança pessoal do governador Rodrigo Garcia (PSDB), que herdou o cargo de João Doria, pré-candidato a presidente.

De acordo com a Folha, os envolvidos confirmaram que faziam escolta do ouro e que estavam prestando serviço para a FD Gold. O tenente-coronel Ricardo Tasso, um dos seguranças do Gabinete Militar, teria informado aos superiores que o convite para o “bico” teria sido feito pelo próprio dono da empresa, e que teria indicado mais dois PMs para o serviço, uma vez que o material era muito valioso e precisava ser protegido.

Os presos foram levados para a delegacia da PF em Sorocaba onde foi instaurado inquérito policial para apurar a possível prática dos crimes de usurpação de bens da União e receptação dolosa. Segundo os documentos apreendidos, a carga de ouro saiu do Mato Grosso e Pará.

“O metal foi encaminhado para realização de perícia em laboratório específico da PF. O avião também foi apreendido e passa a ser objeto de sequestro criminal em outro inquérito policial. As circunstâncias da utilização proibida da aeronave serão apuradas”, informou a PF.

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