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Rio, Petrobras e Naturgy fecham acordo para baixar preço do gás

  • há 6 horas
  • 4 min de leitura

(Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)
(Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

O governo do estado do Rio de Janeiro anunciou que fechou um acordo para reduzir o preço do gás natural, que deverá impactar motoristas, consumidores residenciais, indústrias e estabelecimentos comerciais. A medida foi definida após negociações entre o Executivo estadual, a Petrobras e a concessionária Naturgy.. A parceria vale para redução no custo ao consumidor do gás natural veicular (GNV) e do gás de cozinha, além do combustível fornecido às indústrias.


De acordo com o governo fluminense, a estimativa é de que o GNV tenha redução média de 6,5%. Já para o setor industrial, a estimativa é de queda de cerca de 6%, enquanto consumidores residenciais poderão ter redução em torno de 2,5% nas tarifas.


Segundo o governo, 1,5 milhão de motoristas que usam carro a gás no Rio de Janeiro serão beneficiados com a queda no preço do GNV.


O percentual exato de redução será definido após um cálculo baseado em diversas variáveis, que será realizado pela concessionária e apresentado à Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Estado do Rio de Janeiro (Agenersa), a quem caberá validar as contas.


Somente após a validação, a nova tarifa entrará em vigor. A estimativa é que o gás natural fornecido às indústrias tenha recuo de 6%. O consumidor residencial deve receber o gás de cozinha 2,5% mais barato.


O governo informou que o aditivo do contrato com a Naturgy foi homologado pela Agenersa na última quinta-feira (14), e os detalhes serão publicados no Diário Oficial do Estado na próxima semana.


De acordo com a Secretaria de Estado de Energia e Economia do Mar, órgão que atuou como mediadora do aditivo ao contrato de compra e venda de gás natural entre a Petrobras e Naturgy, os novos valores “têm efeito potencial de política pública energética”.


A nota técnica da secretaria, que emitiu parecer favorável ao acordo, destaca que o Rio de Janeiro é o principal mercado de GNV no Brasil por motivos como o fato de abrigar as maiores bacias produtoras e a concessão de benefícios estaduais, como desconto no Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) para motoristas com carros a gás.


Em 2025, o Rio de Janeiro respondeu por 76,90% de toda a produção de gás natural do país, de acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, órgão federal regulador do setor.


Preço de derivados

A mudança no Rio ocorre em momento de escalada internacional do preço dos derivados de petróleo, desencadeada pela guerra no Irã.


A região concentra países produtores que contam com o Estreito de Ormuz, ligação marítima entre os golfos Pérsico e de Omã, por onde passavam ─ antes da guerra ─ 20% da produção de petróleo e gás natural.


Como retaliação aos ataques americanos e israelenses, o Irã realizou bloqueios em Ormuz, de forma que a cadeia logística do petróleo enfrentou falta do produto, o que fez o preço internacional do óleo cru subir mais de 40% em poucas semanas.


Como o petróleo é uma commodity, isto é, mercadoria negociada a preços internacionais, o aumento dos derivados se refletiu até em países produtores, como o Brasil, principalmente no caso do óleo diesel.


Gás ainda de fora

Apesar dessa pressão, o gás veicular ficou de fora do conjunto de aumentos no mês de abril, de acordo com a inflação oficial do país, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).


Enquanto a gasolina foi o item que mais puxou os preços para cima no mês passado (subiu 1,86%), o GNV chegou a ficar 1,24% mais barato, conforme divulgado na última terça-feira (12).


Para o analista do IBGE Fernando Gonçalves, um motivo para esse comportamento de preço regressivo do gás é que “o GNV depende menos das importações”.


Mais produção, menor preço

O aumento da produção de gás no país é uma das prioridades citadas pela presidente da Petrobras, Magda Chambriard, desde que assumiu à companhia, em junho de 2024. A executiva tem dito que a maior produção é o caminho que levará à redução do preço do combustível.


Na última terça-feira (12), quando detalhava para jornalistas o balanço trimestral da companhia, a presidente lembrou que, ao assumir, a empresa “colocava” 29 milhões de metros cúbicos (m³) por dia de gás no mercado, e atualmente o volume é de 50 milhões a 52 milhões de de m³.


“O que baixa o preço do gás é investir para produzir mais, porque ainda não revogaram a lei da oferta e da procura. Enquanto não revogarem a lei da oferta e da procura, quanto mais gás, menor preço”, declarou.


Gás natural e fertilizante

Também nesta semana, Magda afirmou que a reativação da fábrica de fertilizantes da estatal em Camaçari, na Bahia, só foi possível por causa do preço do gás natural mais barato. O combustível é matéria-prima para a produção de ureia, por exemplo, um dos tipos de fertilizantes mais utilizados no mundo.


Com três fábricas de fertilizante em funcionamento ─ Sergipe, Bahia e Paraná ─ a Petrobras espera produzir 20% da demanda nacional de fertilizantes.


Além disso, a Petrobras segue com a conclusão da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul, que deve iniciar operação comercial em 2029. Dessa forma, a participação da Petrobras no mercado nacional de ureia subirá para 35%.


O Brasil é um dos principais consumidores de fertilizantes do mundo e importa cerca de 80% do volume que utiliza. Com amplo uso na agricultura, os fertilizantes são substâncias que levam nutrientes às plantas, favorecem o crescimento e, por consequência, a ampliação da produção de alimentos.


Com a Agência Brasil

 
 
 

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