Rodoviários da viação Brasília podem entrar em greve

O Sindicato dos Rodoviários de Niterói a Arraial do Cabo (Sintronac) vê com extrema preocupação a situação da viação Brasília, que teve veículos apreendidos por decisão judicial nesta madrugada, como consequência da não quitação de dívidas contraídas em 2018 para a aquisição de ônibus. Além do impacto de possíveis demissões, a crise nessa viação, que possui 181 funcionários, reflete o iminente colapso no sistema de transporte público de Niterói.

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O sindicato alerta que a violação das relações trabalhistas levará os trabalhadores a recorrerem ao seu direito constitucional, com a deflagração de uma greve.


“Sabemos que a Brasília e outras empresas não estão depositando o FGTS e pagando o INSS dos funcionários. Isso tem que ser acertado agora. Atrasos nos pagamentos e nos benefícios também são intoleráveis e levarão a uma greve da categoria”, afirma o presidente do Sintronac, Rubens dos Santos Oliveira.


O dirigente sindical também culpa a Prefeitura de Niterói pela atual crise no transporte público na cidade. A administração municipal não repassa há dez meses boa parte dos valores das gratuidades dos estudantes e congelou, por dois anos, o reajuste tarifário, descumprindo cláusulas do contrato de concessão.


“São 15% de defasagem do reajuste tarifário e o não repasse total das gratuidades. Com a retração no número de passageiros, provocada pela pandemia, pela ascensão dos aplicativos e pela consolidação do home office em várias empresas, o faturamento das companhias de ônibus despencou. O problema é que isso atinge os rodoviários, que já se sacrificaram muito para a população ter garantido seu direito ao transporte público. Isso não é justo”, assegura Rubens.


O Sintronac cobra ainda da Prefeitura a apresentação do estudo de reequilíbrio econômico do transporte público, anunciado pela própria municipalidade em julho deste ano, que poderá salvar as empresas de ônibus da cidade de um colapso total, com o estabelecimento de uma tarifa técnica, parcialmente subsidiada pelo governo.


“O poder público tem que entender que, na atual situação, a população será prejudicada, além dos trabalhadores. Esse modelo atual faliu. Precisamos urgentemente de um novo sistema e não há problema algum nos governos subsidiarem o transporte público, como já acontece em São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro e outras cidades. Aliás, em 2015, foi promulgada a Emenda Constitucional 90/15, que incluiu o transporte como um direito social, ao lado da educação e da saúde. Ou seja, o transporte é um direito constitucional do cidadão”, conclui o presidente do Sintronac.

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