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Rodrigo Neves foi citado em relatório secreto da Abin

O nome do ex-prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, aparece em um relatório sigiloso produzido pela Abin, datado de 23 de março de 2020, mesmo período em que ocorreu o monitoramento de políticos de oposição ao governo Bolsonaro, através da ferramenta israelense Fist Mile.

O relatório foi obtido e divulgado na época pelo Intercept (leia na íntegra). O nome de Rodrigo Neves aparece na penúltima página (nº18). Na ocasião, início da pandemia, o prefeito movia esforços para a prevenção e combate à covid-19 na cidade, e manteve contato com a China para a troca de informações sobre o enfrentamento da doença.


"A Prefeitura de Niterói se aproximou da China e anunciou dia 22.mar contrato com a mesma empresa de sanitização que atuou em cidades chinesas para combate ao COVID19. Funcionários de empresa de sanitização começam a atuar nesta semana pelas ruas de Icaraí (Niterói/RJ) desinfetando paradas de ônibus e bancos. O prefeito Rodrigo Neves tem conversado diariamente com o Cônsul-geral da China no Rio de Janeiro, Li Yang, sobre experiências de combate ao coronavírus", diz o texto.


Desde o começo da pandemia, Bolsonaro travou uma verdadeira guerra contra governadores e prefeitos que, diante da inação do governo federal, assumiram o protagonismo na adoção de medidas.


Em Niterói, enquanto o Ministério da Saúde retardava a compra de vacinas, alegando que a Coronavac chinesa era ineficaz, a Prefeitura tratou com a China e com a Rússia a aquisição direta dos imunizantes Coronavac e Sputnik. Mas a negociação foi impedida pelo governo federal, que centralizou no Ministério da Saúde a compra e a distribuição de vacinas para os entes federativos, impedindo que estados e municípios agissem de forma independente.


O protagonismo de Niterói e os bons resultados obtidos pela prefeitura na crise da covid-19 deixaram Bolsonaro bastante incomodado. O município saiu na frente ao adotar medidas de prevenção e contenção da doença.


Realidade x negacionismo


Esse não foi o único relatório secreto produzido durante a pandemia pela Abin, que era comandada pelo ministro Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional. Segundo o Intercept, o órgão produzia levantamentos diários para o governo federal.


O documento que cita o nome de Rodrigo Neves é uma coletânea de informações, tabelas e gráficos sobre a covid-19 no país e ações empreendidas pelo próprio governo Bolsonaro, pelo STF e pelo Congresso, além de medidas adotadas em cidades, estados e hospitais. O levantamento também inclui dados sobre o tratamento com medicamentos sem eficácia comprovada contra a covid-19, como é o caso da cloroquina.


"O diretor-executivo da Prevent Senior, Pedro Benedito, anunciou hoje que todos os pacientes da rede diagnosticados com a COVID-19 estão recebendo o tratamento com cloroquina e azitromicina. A primeira a receber o medicamento foi a mãe (de 75 anos) do próprio diretor que, segundo ele, já apresenta melhoras", diz outro trecho do relatório.


A existência do documento revela que Bolsonaro precisava ser municiado de informações não apenas para alimentar seu discurso negacionista, mas também para embasar medidas controversas adotadas por ele durante a pandemia.


O mais grave de tudo é que os relatórios projetavam o aumento potencial de mortes pela doença, alertavam para a falta de vagas nos hospitais e ainda citavam medidas adotadas com sucesso em outros países, como o isolamento social. Mas nada disso foi suficiente para fazer Bolsonaro agir no combate à doença. Ao contrário, ele optou por ignorar os dados da realidade, fazendo campanha contra o 'fique em casa' e defendendo a 'imunidade de rebanho'.


O resultado, os brasileiros conhecem bem: mais de 700 mil mortos pela covid-19 e os responsáveis até hoje impunes.


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