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Rússia se afasta cada vez mais dos meios de pagamento do Ocidente

A Rússia cancelou o euro do seu Fundo de Bem-Estar Nacional, como mais uma forma de se dissociar dos métodos de pagamento ocidentais e, por sua vez, se aproximar dos seus parceiros do BRICS, afirma a professora da Universidade de Uppsala (Suécia), María Cristina Rosas.

"A decisão do governo de Vladimir Putin tem a ver com a necessidade de separar a Rússia dos métodos de pagamento ocidentais, devido às sanções impostas. Por outro lado, vemos a sua intenção de reforçar as relações com a China e outros parceiros do BRICS", assegura a especialista em referência ao bloco que ambas as nações compõem junto com Índia, África do Sul e Brasil.


No dia 19 de janeiro, o Ministério da Economia da Rússia anunciou o cancelamento total da parte do euro do fundo estatal e soberano da Rússia, de modo que a reserva estratégica do país consiste atualmente apenas em rublos, yuans e ouro.


"Em dezembro de 2023, uma parte dos ativos do Fundo de Bem-Estar Nacional russo nas contas do Banco [Central] da Rússia, no valor de ¥ 114,9 bilhões [cerca de R$ 79,7 bilhões], 232.584,5 quilogramas de ouro e € 573,7 milhões [aproximadamente R$ 3,07 bilhões], foi convertida em 2,9 trilhões de rublos [mais de R$ 160,6 bilhões]", disse a pasta. Após a decisão, a conta na moeda gerida pela União Europeia (UE) foi fechada a zero.


O Fundo de Bem-Estar Nacional russo é uma reserva estatal vital destinada a estabilizar o orçamento nacional em caso de queda nos rendimentos e a satisfazer as necessidades do país a longo prazo. É financiado através de contribuições do excedente orçamentário federal do setor de petróleo e gás, bem como de rendimentos provenientes de recursos autogeridos.


Tendência mais definida


O afastamento da Rússia do euro é o mais recente capítulo do seu distanciamento das potências ocidentais. Em meados de 2021, o fundo deixou de investir o capital em ativos de dólar. Para 2022, fez o mesmo para contas em libras esterlinas e ienes japoneses.


No entanto, o movimento feito por Moscou é extremamente relevante em uma altura em que se posiciona como o primeiro colocado na Europa em termos de paridade de poder de compra e existe um bom relacionamento entre a Rússia e vários aliados, como a Índia ou nações do continente africano, como demonstrado em 2023 pela segunda cúpula Rússia-África.


"A tendência seria usar apenas rublos e, nesse sentido, teria que negociar com os seus principais parceiros [...] para realizar trocas. Algo que Moscou tem a seu favor é a chefe do Banco Central, Elvira Nabiullina, que tem conseguido manobrar de forma a reduzir os impactos desfavoráveis das sanções que o Ocidente tem aplicado à Rússia. Portanto, tem também um papel fundamental na gestão da política monetária", explica a especialista.


Outro aspecto que Rosas destaca é a decisão de Moscou de manter parte de sua reserva em ouro, pois isso lhe permite maior margem de manobra e liquidez diante de qualquer situação adversa na economia.


Da mesma forma, o euro não tem boas perspectivas para oferecer nem a Moscou nem a qualquer outro Estado, depois de problemas passados como as crises econômicas de 2008 e o Brexit, cujas consequências foram combinadas com a pandemia de COVID-19, e um impacto adverso das sanções que as nações do bloco impuseram contra a Rússia pela operação militar especial na Ucrânia.


Atualmente, a UE tenta "apoiar Kiev e gastar mais na defesa, devido à pressão dos Estados Unidos e à alegada percepção de insegurança gerada pelo conflito entre a Rússia e a Ucrânia em um efeito dominó", enfatiza Rosas.


"Anteriormente, a Europa prosperou muito na sua integração quando as responsabilidades de segurança recaíam financeiramente sobre os EUA, mas desde a administração de Donald Trump [2017-2021] até agora foi dito aos parceiros europeus: 'É preciso gastar mais no apoio financeiro à Organização do Tratado do Atlântico Norte [OTAN] porque a maior parte do financiamento é fornecida por Washington e não é justo'", acrescenta ela.


Outras nações podem seguir o exemplo


Segundo a doutora em relações internacionais pela Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), outras nações já estão seguindo o exemplo da Rússia de se separarem dos sistemas de pagamentos ocidentais, aos quais mais poderão ser acrescentados em breve.


Por exemplo, em março de 2023, os líderes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da China, Xi Jinping, concordaram em negociar entre si com as suas próprias moedas e não com a de origem norte-americana. Da mesma forma, os membros do BRICS procuraram produzir uma moeda própria.


"Assim como falamos de um processo de desdolarização, neste momento estamos assistindo a um processo de deseurização. Ao mesmo tempo, vários países africanos já realizam transações com o yuan, além de terem linhas de crédito com a China", lembra Rosas.


Outro lugar do planeta onde esta busca por outras moedas está presente é a América Latina e, em grande parte, isso se deve aos avanços de Pequim em questões econômicas.


"A China se tornou um credor muito importante para a América Latina. Concedeu empréstimos à Argentina, ao Equador, à Venezuela, por exemplo, e todos em yuan. Sei que a Europa tem pequenos programas de apoio para a região e apenas para alguns países", explica.


Prova disso é a análise anteriormente realizada pela Sputnik às declarações de responsáveis de 193 países da Organização das Nações Unidas (ONU) nos meios de comunicação social. Representantes de 68 nações apoiaram o abandono do dólar ou declararam que estão tomando medidas nesse sentido.


Ao mesmo tempo, muitos Estados compreenderam que a moeda dos EUA é um perigo não só como meio de pagamento, mas também como instrumento de poupança.


Alguns países estão tomando medidas mais específicas para reduzir a dependência da sua população em relação às moedas estrangeiras. Entre eles está o Vietnã, que proibiu os depósitos de longo prazo em outras moedas.


O fato é que "a desdolarização está avançando e a conversa tem ocorrido no BRICS" e em outras nações do Sul Global, conclui Rosas.


Fonte: Sputnik


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