Sérgio Reis e deputado bolsonarista são alvo da PF


Os cantores sertanejos Sérgio Reis e Eduardo Araújo com Bolsonaro (Reprodução)

O cantor Sérgio Reis, que recentemente defendeu abertamente um golpe no país, e o deputado federal Otoni de Paula (PSC-RJ) são alvo de mandados de busca e apreensão expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Os pedidos partiram do procurador-geral da República (PGR), Augusto Aras, que é afinado com o presidente da República, mas vem sendo acusado de omissão em relação aos ataques de Jair Bolsonaro ao sistema eleitoral brasileiro.

Alexandre de Moraes autorizou 29 mandados no âmbito do inquérito que apura manifestações contrárias à democracia. Além de Sérgio Reis e do parlamentar bolsonarista, a operação da PF mirou também outro cantor sertanejo, Eduardo Araújo, conhecido pelo sucesso "O Bom", gravado em 1967, que também incentiva o levante e esteve reunido com o presidente, no Palácio do Planalto, em 12 de agosto.

Moraes afirmou que os investigados pretendem abusar "dos direitos de reunião, greve e liberdade de expressão, para atentar contra a Democracia, o Estado de Direito e suas Instituições", "inclusive atuando com ameaça de agressões físicas". Na decisão, Moraes determina que os investigados fiquem impedidos de circular até um quilômetro de distância da Praça dos Três Poderes, onde o grupo planejava realizar protestos contra o STF no dia 7 de setembro.

Agentes da Polícia Federal (PF) foram ao menos a quatro endereços no Rio e em Brasília (DF) ligados ao cantor e ao deputado.

Em nota, a PF diz que “o objetivo das medidas é apurar o eventual cometimento do crime de incitar a população, através das redes sociais, a praticar atos violentos e ameaçadores contra a Democracia, o Estado de Direito e suas Instituições, bem como contra os membros dos Poderes”.

O parlamentar bolsonarista já foi condenado pela Justiça por atacar Moraes através de vídeos publicados nas redes sociais em agosto do ano passado, quando se referiu ao magistrado como 'lixo', "canalha", "esgoto" e "cabeça de piroca". Otoni defendeu-se com o argumento de "meu livre e sagrado direito de expressão" e disse que cometeu "um erro, não de conteúdo, mas de adjetivação", e foi condenado a indenizar o magistrado em R$ 70 mil.

Nesta semana, o PGR Augusto Aras foi alvo de uma notícia-crime protocolada pelos senadores Fabiano Contarato (Rede-ES) e Alessandro Vieira (Cidadania-SE) por prevaricação. Aras é acusado de omissão em relação a Bolsonaro e também de não atuar em defesa das instituições democráticas.

Com apoio de Bolsonaro, Aras espera nos próximos dias aprovação do Senado pela sua recondução à Procuradoria-Geral da República. Seu nome não foi avalizado na lista tríplice aprovada pelos procuradores.

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