'Sócio-oculto' do FIB Bank é desmentido na CPI da Covid

Atualizado: 15 de set. de 2021


Suspeito de ser o verdadeiro dono do FIB Bank, Marcos Tolentino depôs à CPI (Foto: Edilson Rodrigues/A.Senado)

Apontado pela CPI da Covid, no Senado, como sendo o verdadeiro dono do FIB Bank, que tem nome de banco mas não é banco, o empresário Marcos Tolentino foi desmentido após dizer em seu depoimento nesta terça-feira (15) que não tem nenhuma relação com a empresa. A CPI identificou um repasse de R$ 336 mil feito pelo FIB Bank para uma empresa no nome da mãe do empresário. Questionado, Tolentino não quis responder, exercendo o direito concedido pelo Supremo Tribunal Federal de ser manter calado diante de perguntas cujas respostas pudessem incriminá-lo.

De acordo com a CPI, os R$ 336 mil representam 96% do valor pago pela empresa Precisa Medicamentos ao FIB Bank como contrapartida à atuação da instituição como uma espécie de fiadora na compra da vacina indiana Covaxin. A transferência foi feita em 23 de março deste ano. Nesse mesmo dia, a Precisa Medicamentos pagou R$ 350 mil ao FIB Bank.

Para a cúpula da CPI, esse repasse é um dos indícios mais contundentes da vinculação de Tolentino com o FIB Bank.

Uma das linhas da investigação é para confirmar que Tolentino é o próprio dono do FIB Bank. A empresa emitiu a carta-garantia de R$ 80,7 milhões à Precisa na negociação de vacinas contra a covid-19 com o governo federal. O contrato da Precisa com o Ministério da Saúde só foi encerrado mais de dois meses após as denúncias de irregularidades.

De acordo com integrantes da CPI, Tolentino é ligado ao deputado Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo Bolsonaro na Câmara e apontado como articulador das negociações sob suspeita de irregularidades. O nome de Barros foi apresentado à comissão pelo servidor público Luis Ricardo Miranda e o irmão dele, o deputado Luis Miranda (DEM-DF), quando denunciaram irregularidades e superfaturamento no contrato de compra da vacina. Em 20 de março, os irmãos levaram a denúncia ao presidente Jair Bolsonaro, que então teria mencionado o nome de Ricardo Barros. Apesar da denúncia, Bolsonaro não tomou nenhuma medida para investigar o caso, o que só foi feito mais de dois meses depois quando foi levada à CPI pelos irmãos.

"Sobre a minha ligação com  Ricardo Barros, trata-se de um conhecido há muitos anos, desde que eu morei em Curitiba e que residi na cidade. Até hoje, mantenho com ele vínculo de respeito e amizade, nada mais do que isso", declarou Tolentino.

Barros elaborou uma emenda que favoreceu a aquisição da Covaxin pelo governo brasileiro. O líder do governo e Tolentino negam qualquer parceria comercial

Outros negócios com o governo

A CPI vai requisitar à Procuradoria-Geral da República que determine, em caráter de urgência, a realização de investigação rigorosa de todos os contratos em que a FIB Bank figure como instituição garantidora. Além disso, a comissão vai encaminhar todas as informações ao Tribunal de Contas da União (TCU), para que seja feita uma auditoria em todos os negócios firmados.

Depois de constatarem que a FIB Bank ofereceu garantias em outros negócios celebrados por órgãos públicos, os senadores também aprovaram requerimento pedindo informações ao Ministério da Economia, à Casa Civil, à Advocacia-Geral da União (AGU) e outros ministérios a respeito de cartas de fiança emitidas pela instituição. 

Os parlamentares demonstraram espanto ao verificarem que a FIB Bank avalizou outros contratos no âmbito de órgãos da União e questionaram como os negócios foram concretizados. 

"Aí está o pulo do gato. A Fazenda Nacional não era ouvida, a Procuradoria-Geral da República não era ouvida, a Advocacia-Geral da União [AGU], quando era ouvida, era ouvida tardiamente ou não era obedecida. Foi assim que aconteceu com a Covaxin. O advogado da AGU disse que faltava garantia, que a garantia tinha de ser bancária; eles não só descumpriram a lei, não só descumpriram o contrato, como aceitaram uma garantia que não é bancária de um banco que não é banco. Comprova o conluio", avaliou a senadora Simone Tebet (MDB-MS). 

Barros "onipresente e intocável"

Integrantes da CPI estão convencidos da participação de Barros em negócios irregulares no governo. O presidente da comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM), chegou a dizer que o deputado é "onipresente e intocável" perante o presidente da República, que não o afastou da liderança do governo. 

"Mesmo que a gente mostre aqui e desnude o líder na Câmara, isso não vai mudar nada não, pois ele vai continuar lá. Talvez o presidente escreva uma nota um dia pedindo desculpas também por tê-lo mantido até hoje como líder dele", ironizou. 

Bolsonaro

Sobre Jair Bolsonaro, o empresário disse conhecê-lo desde o tempo em que o presidente era deputado federal, mas negou relação de amizade ou qualquer outro tipo de relacionamento. 

"Estive com ele em alguns encontros, meramente casuais. Eu o conheci quando ainda deputado, poucas vezes... Encontrei também como presidente da República e isso é totalmente registrado."

O empresário disse ainda conhecer o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) e o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ) "de eventos políticos e sociais". E disse não conhecer o filho caçula do presidente, Jair Renan. 


Com informações da Agência Senado

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