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Sanções impostas à Rússia estão levando à desdolarização


© Sputnik / Aleksandr Demianchuk

O aumento da utilização do yuan no comércio ampliado entre a Rússia e a China está minando o domínio do dólar americano, confirmaram novas pesquisas europeias.

A desdolarização se tornou uma palavra da moda, com formas de contornar o dólar através do aumento do comércio em moedas locais, como o yuan da China, um item-chave na agenda da recente cúpula do BRICS. Além disso, o debate sobre a rejeição do dólar vem sendo alimentado pela precária posição global da moeda norte-americana, à medida que se aproximam as perspectivas de uma recessão.

"Ao longo de 2022, a parcela das importações da Rússia faturadas em yuan aumentou 17 pontos percentuais", afirmou o documento de pesquisa do Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento (BERD). No final do ano passado, 20% das importações da Rússia foram faturadas em yuan. Além disso, o uso do yuan para liquidar importações de terceiros países também aumentou, atingindo 5%, acrescentou a pesquisa.

O estudo se referia às sanções ocidentais — impostas contra Moscou por causa da Ucrânia e concebidas para "paralisar" a economia russa, um plano que saiu pela culatra em vários níveis. Depois de Washington e os seus aliados "derrubarem as rotas comerciais" como parte das restrições, o comércio entre a Rússia e a China atingiu novos níveis.

Além disso, as sanções "deram ímpeto aos países para pensarem na diversificação das moedas de faturação e, a longo prazo, isto poderia desgastar o domínio do dólar", disse a economista-chefe do BERD, Beata Javorcik, coautora do artigo.

"O uso do yuan como moeda veicular aumentou, em média, mais quatro pontos percentuais entre os parceiros comerciais que têm uma linha de swap ativa em yuan", acrescentou o estudo.

Em um contexto de crescente uso do dólar como "arma" por parte dos EUA, Moscou e Pequim, assim como muitos outros países, optaram por liquidar uma parte muito maior do seu comércio mútuo na moeda chinesa, ao mesmo tempo que procuravam abandonar o dólar americano. Assim, o yuan representou 34% das importações russas em julho e 25% das exportações, segundo dados do Banco Central de Moscou.

Além disso, a moeda chinesa está sendo cada vez mais utilizada por países terceiros que têm linhas de swap com o Banco Popular da China e que não conseguiram ser coagidos a aderir às sanções punitivas e autolesivas do Ocidente.

As linhas de swap são acordos entre bancos centrais para trocar as moedas dos seus países entre si. "Assim, embora o domínio do dólar americano torne as sanções internacionais mais eficazes, uma vez que os pagamentos denominados em dólares precisam ser compensados através do sistema bancário dos EUA, as sanções econômicas podem encorajar um abandono do dólar como moeda veicular, desgastando assim o domínio do dólar", afirmou a pesquisa do BERD.

Os números citados na análise apenas destacam o processo que tem ganhado impulso ao longo dos últimos meses — a desdolarização está acontecendo a um ritmo constante no BRICS e na economia global.

O lento declínio do dólar americano enquanto moeda fiduciária mundial e as reservas do banco central aceleraram em 2022, quando Washington e os seus aliados recorreram a sanções contra a Rússia. As quase 15.000 novas sanções contra Moscou, juntamente com a decisão de congelar uma parte das reservas internacionais da Rússia, permitiram que grandes países não ocidentais, incluindo até mesmo aliados e parceiros tradicionais de longa data dos EUA, finalmente acordassem para os perigos potenciais que ameaçam todos os países que utilizam o dólar. Foi então que outras moedas como o yuan, entraram em foco no comércio internacional.

As restrições ocidentais serviram para desencadear um maior comércio em moedas locais entre Moscou e os seus parceiros. A participação do rublo nos pagamentos das exportações russas ultrapassou os 50% e representa mais de um terço do comércio exterior total da Rússia, revelou o chefe interino do Serviço Federal de Alfândega, Ruslan Davydov, no início deste mês.

Além disso, na recente cúpula do BRICS em Joanesburgo, os membros manifestaram a sua determinação em aumentar a utilização de moedas locais nas transações comerciais e financeiras, tanto entre os Estados-membros do BRICS como com os seus parceiros.

Quanto à China, o comércio da Rússia com o gigante asiático aumentou 36,5%, para US$ 134,1 bilhões (cerca de R$ 675,9 bilhões), entre janeiro e julho de 2023, informou a Administração Geral das Alfândegas da China no início do ano. Durante o período, a China importou bens para a Rússia no valor de US$ 62,5 bilhões (aproximadamente R$ 315,1 bilhões), um aumento de 73,4% em relação ao mesmo período de 2022, e as exportações da Rússia para a China aumentaram 15,1%, para US$ 71,6 bilhões (mais de R$ 361 bilhões). Apenas em julho, o comércio entre os dois países atingiu US$ 19,5 bilhões (cerca de R$ 98,3 bilhões), do quais a Rússia forneceu bens no valor de US$ 9,2 bilhões (aproximadamente R$ 46,4 bilhões) à China e a China forneceu bens no valor de US$ 10,3 bilhões (mais de R$ 51,9 bilhões) à Rússia.

Durante o mesmo período, o comércio EUA-China diminuiu 15,4%, para US$ 381,5 bilhões (cerca de R$ 1,9 trilhão), de acordo com a Administração Geral das Alfândegas da China. As exportações chinesas para os Estados Unidos no período em análise diminuíram 18,6% em termos anuais, para US$ 281,7 bilhões (aproximadamente R$ 1,4 trilhão) de dólares.

Apesar das tentativas de interferência de alguns países ocidentais, a cooperação comercial e econômica sino-russa continua a crescer, sublinhou o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, em junho, em uma mensagem de vídeo na abertura da conferência "Rússia e China: Cooperação na Nova Era", em Pequim.


Da Sputnik Brasil

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