Sangue, suor e seis pódios na madrugada Paralímpica


Lúcia Araújo sangrou para conquistar a primeira medalha do judô em Tóquio (Foto:Takuma Matsushita/CPB)

O quarto dia dos Jogos Paralímpicos de Tóquio trouxe ao Brasil as primeiras medalhas nas modalidades do judô e tênis de mesa, além de novos pódios no atletismo e na natação. No total, foram seis medalhas para o país na madrugada deste sábado (28).

No atletismo, Cícero Valdiran Lins Nobre foi bronze no lançamento de dardo, na classe F57. Thalita Simplício também conquistou a prata, nos 400m da classe T11. Já Julyana da Silva ficou com o bronze no lançamento de disco, na classe F57. Cátia Oliveira faturou o bronze pela classe 2 do tênis de mesa. Lúcia Araújo foi bronze na categoria até 57 kg do judô. E, por fim, o bronze na natação, na prova do evezamento misto 4x100m (da classe S14).

O Brasil soma agora 23 medalhas nos Jogos Paralímpicos de Tóquio, com seis ouros, cinco pratas e 12 bronzes. E está na oitava colocação no quadro de medalhas. A China lidera com 26 ouros e soma 69 medalhas. Em seguida aparece a Grã-Bretanha que soma 43 medalhas, sendo 16 de ouro. Em terceiro lugar está o Comitê Paralímpico Russo, com 13 medalhas de ouro, e um total de 40 medalhas.

E o Brasil segue em busca de sua 100ª medalha de ouro em Jogos Paralímpicos. Com as conquistas do quarto dia de competições em Tóquio, o país segue com 93, faltando sete para a marca. Ainda são 117 de prata e 114 de bronze. Vale ressaltar que o país está entre as 20 nações que mais medalharam em toda a história do megaevento paradesportivo.

Atletismo

Cícero Valdiran Lins Nobre chegou para a prova do lançamento de dardo como um dos favoritos. O paraibano da cidade de Aguiar mostrou força, chegou a bater o recorde paralímpico com a marca de 48.93, mas foi superado por Hamed Heidari, do Azerbaijão, que fez 51.42 (novo recorde mundial) e pelo iraniano Amanolah Papi (49,56).

Cícero Nobre ganhou medalha de bronze no arremesso de dardo (Foto: Wander Roberto/CPB)

Aos 29 anos, Cícero tem má-formação congênita bilateral nos pés. Em 2011, foi abordado na rua por uma pessoa com deficiência, que o convidou para conhecer o paradesporto. O atleta iniciou na natação e migrou para o atletismo em 2013.

Em 2015, após dois anos na classe F43, onde os lançamentos são feitos em pé, Cícero foi para a classe F57, passando a lançar o dardo sentado em uma plataforma. Isso lhe deu a oportunidade de disputar as Paralimpíadas do Rio, em 2016, conquistando o quarto lugar.

Entre as suas principais conquistas está a medalha de ouro no lançamento de dardo no Mundial Dubai, em 2019. No mesmo ano, o atleta também subiu no lugar mais alto do pódio nos Jogos Parapan-Americanos de Lima, no Peru.

A potiguar Thalita Simplício ficou com a prata nos 400m da classe T11. A atleta, campeã mundial em Dubai, em 2019, fechou a final com o tempo de 56s80, fazendo o seu melhor tempo na carreira. Ela chegou 55 centésimos atrás da chinesa Cuiqing Liu (56s25), que bateu o recorde paralímpico. A colombiana Angie Pabon completou o pódio ao cruzar a linha de chegada em 57s46.

Thalita nasceu com glaucoma. Ela tem baixa visão, mas, aos 12 anos, tornou-se totalmente cega. A atleta sempre praticou esportes: natação, karatê e goalball. Começou no atletismo aos 15 em um projeto do CPB. “Fizemos três tiros de 400 m em 24h. Demos o nosso melhor na pista”, disse Thalita ao fim da prova. Esta foi a segunda medalha da potiguar em Jogos Paralímpicos - ela também foi prata nos Jogos Rio 2016 (revezamento 4x100m).

Já a carioca Julyana da Silva conquistou o bronze no lançamento de disco na classe F57, arremessando a 30m49. Na mesma prova, Tuany Siqueira ficou na 11ª posição (21m30). "Prestei bastante atenção nas outras atletas. De 12 competidoras, eu fui a nona arremessar. Isso para mim foi bom. Pude ver como era a técnica [do arremesso] das outras atletas e saber como deveria atuar. É um sentimento bem confortante. Somos atletas e trabalhamos com meta e objetivo. Agora vou descansar porque depois tem mais [disputa no arremesso de peso]”, avaliou Julyana.

Tênis de mesa

Bruna Alexandre, número 4 do ranking mundial da classe 10, está na final do tênis de mesa em cadeira de rodas. A classificação veio após a catarinense vencer Shiau Wen Tien, do Taipei, por 3 sets a 1 (14/12, 6/11, 12/10 e 11/7). Agora, ela enfrenta, na grande decisão, a australiana Qian Yang, na próxima segunda-feira (30), às 6h45 (horário de Brasília).

A comemoração dessa vaga na final foi marcada por muita emoção. Após marcar o último ponto, Bruna Alexandre não se segurou, pulou nas arquibancadas e foi abraçada por toda a delegação do tênis de mesa do Brasil. “Essa conquista não é só minha. É de todo mundo que me ajudou a chegar até aqui”, disse Bruna Alexandre. “Agora é descansar e chegar preparada para essa final. E isso eu estou, perdi uns 20 quilos nos últimos nove meses e estou no meu melhor físico”, comentou a atleta, de 26 anos

Já Cátia Oliveira faturou a medalha de bronze pela classe 2. A paulista foi superada pela sul-coreana Seo Su Yeon, atual campeã mundial e vice-campeã paralímpica, por 3 sets a 1 (11/7, 8/11, 5/11 e 9/11) pelas semifinais da competição e assegurou, de maneira direta, mais uma medalha para o país.

“Eu tentei levar este ouro para o Brasil, mas estou muito feliz com o bronze. Em nenhum momento, fiquei com medo de perder. Vim para Tóquio e representei o meu país. Esta medalha é de todos”, comemorou Cátia Oliveira.

Natação

E o Brasil não poderia terminar o quarto dia de competições sem medalhas na natação. Justamente na última prova do dia, o revezamento misto 4x100m, da classe S14 (deficiência intelectual), o país conquistou o bronze ao terminar na quarta colocação (3min51s23), mas herdar o terceiro lugar após a desclassificação do Comitê Paralímpico Russo. O time verde e amarelo contou com os nadadores Ana Karolina Soares, Debora Carneiro, Felipe Vila Real e Gabriel Bandeira. O ouro ficou com a Grã-Bretanha (3min40s63) e a prata com a Austrália (3min46s38).

Revezamento 4x100m, da classe S14 (deficiência intelectual) herdou o bronze (Foto: Marko Djurica/CPB)

O ponto alto dessa prova ficou por conta de Gabriel Bandeira. Dono de duas medalhas em Tóquio, o paulista começou bem a disputa e completou os primeiros 100 metros na primeira colocação, com direito inclusive à quebra do recorde mundial durante a sua passagem ao cravar 51s11. A marca anterior era de 51s52 do britânico Reece Dunn. “A ficha (do recorde) ainda não caiu. A prova foi muito boa, doeu bastante, mais até que os 200m livre, mas todo mundo deu o seu melhor e o resultado”, comemorou Gabriel Bandeira.

Essa foi a décima medalha da natação para o Brasil nos Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020 (dois ouros, duas pratas e seis bronzes).

Bocha

A bocha fez sua estreia nos Jogos Paralímpicos de Tóquio. Destaque para o duelo entre os irmãos brasileiros Eliseu e Marcelo dos Santos. Melhor para Eliseu, que venceu o confronto familiar no desempate. Outro resultado relevante foi a vitória por 11 a 0 de Maciel Santos - campeão paralímpico em Londres 2012 - contra o sul-coreano Yongjin Lee. A porta-bandeira da delegação brasileira na atual edição dos Jogos, Evelyn dos Santos, encarou a sueca Maria Bjurstrom e venceu por 4 a 2.

Ao todo, contando a partida entre os compatriotas, o país foi representado em dez jogos: foram quatro vitórias, sendo que uma já era garantida, pois a partida só envolvia atletas do Brasil, e seis derrotas.

Vôlei sentado

A Seleção Brasileira masculina de vôlei sentado também fez sua estreia nos Jogos Paralímpicos de Tóquio. O time verde e amarelo venceu a China por 3 sets a 1, com parciais de 28/26, 26/28, 25/19 e 25/13. Em um duelo equilibrado, os brasileiros começaram com força e venceram o primeiro set, por 28 a 26. Os chineses equilibraram as coisas e deixaram a partida empatada ao fechar o segundo set pelo mesmo placar. O Brasil se reequilibrou no jogo e venceu o terceiro set por 25 a 19. O time colocou números finais ao duelo com um 25 a 13 no quarto set.

Os brasileiros voltam à quadra na próxima segunda-feira, às 20h30 (horário de Brasília), quando enfrentam a seleção do Irã.

O time feminino, por sua vez, já estreou nos Jogos de Tóquio. A equipe do técnico José Guedes iniciou sua jornada com vitória, por 3 sets a 2, diante das canadenses na manhã da sexta-feira, 27. A próxima partida das meninas será no domingo, 29 contra as japonesas às 8h30 (horário de Brasília).

As semifinais do vôlei sentado estão marcadas para os dias 2 e 3 de setembro para as equipes femininas e masculinas, respectivamente. Já as disputas do bronze e a final masculina estão marcadas para o dia 4. A final do feminino será no dia 5 de setembro, último dia dos Jogos de Tóquio 2020.

Nos Jogos Rio 2016, a Seleção feminina conquistou a medalha de bronze. Já a masculina brigará na capital japonesa pela primeira medalha paralímpica.

Judô

E saiu a primeira medalha do judô brasileiro nos Jogos Paralímpicos de Tóquio. Lúcia Araújo conquistou o bronze ao vencer, por ippon, a russa Natalia Ovchinnikova, na categoria até 57 kg. A paulistana já tinha conquistado duas pratas na carreira: em Londres 2012 e no Rio 2016.

“É sempre uma emoção. Vim preparada para ser campeã, mas como perdi a disputa da prata, não me via voltando para casa sem nada. Então esse bronze vale ouro. É fruto de todo um trabalho, uma preparação”, afirmou Lúcia Araújo, logo após o combate.

Na sua primeira luta desta edição, a judoca de 40 anos venceu a argentina Laura González, por ippon. Depois, também por ippon, ela acabou eliminada da disputa pelo ouro por Parvina Samandarova, do Uzbequistão. Em um dos combates, a brasileira chegou a ter um ferimento no rosto. A paulista mostrou garra, se recuperou e seguiu seu caminho até a medalha.

No masculino, Harlley Arruda ficou de fora da disputa por medalhas na categoria até 81 kg, após ser derrotado pelo britânico Daniel Powell na primeira luta, por ippon.


Fonte: Comitê Paralímpico Brasileiro


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