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Semana laboral de quatro dias será testada no Brasil

Uma organização internacional vai montar um plano piloto no Brasil para testar os efeitos da semana de trabalho de quatro dias, algo que já foi tentado com algum sucesso em outros países. No entanto, o economista José Luis Oreiro alertou que o modelo pode ser difícil de aplicar na indústria, que não investe em tecnologia há décadas.

Pixabay

A possibilidade de reduzir a jornada de trabalho começa a ser pauta de vários países sul-americanos, principalmente depois que o Chile deu o primeiro passo na região em abril de 2023 ao reduzir a jornada máxima de trabalho semanal para 40 horas. A partir de então, o assunto passou a circular também em sindicatos e câmaras empresariais de países vizinhos, como Argentina ou Uruguai.


O mesmo está acontecendo no Brasil, onde um plano-piloto montado por um organismo internacional poderia lançar as bases para uma rediscussão do tema. De fato, a organização 4 Day Week (Quatro dias por semana) se propõe a iniciar um plano na maior economia da região latino-americana para testar como o novo sistema funcionaria em empresas que se registram voluntariamente.


"O piloto de quatro dias nos permite alcançar os mesmos resultados de produtividade e vários outros ganhos com menos tempo de trabalho. As empresas que fazem a transição para uma semana de trabalho de 32 horas percebem aumentos de produtividade, melhor atração e retenção de talentos, envolvimento mais profundo do cliente e melhor saúde, bem-estar e felicidade dos colaboradores", relata a organização.


O projeto, que começaria em setembro de 2023 com as empresas que aderirem, propõe para o Brasil um programa "100-80-100", denominação para "100% do salário, trabalhando 80% do tempo e mantendo 100% da produtividade".


Os promotores deste modelo já o aplicaram no Reino Unido. Lá, conforme promovem, participaram 2.900 trabalhadores de 61 empresas, dos quais 92% "continuaram com a semana de quatro dias" após o programa. A organização garante ainda que 39% dos trabalhadores se sentem menos estressados ​​e que 51% consideram mais fácil conciliar a vida familiar com o trabalho.


Ainda assim, a experiência britânica pode não se traduzir exatamente no Brasil. O economista José Luis Oreiro lembrou que no país lusófono, ao contrário do território europeu e de outras nações onde esta experiência foi realizada, a jornada de trabalho não é de 40 horas semanais, mas de 44.


"Você trabalha oito horas diárias de segunda a sexta-feira e quatro ao sábado de manhã", sublinhou, considerando que esta diferença deve poder adiar os efeitos positivos verificados nas experiências europeias.


O economista considerou ainda que o sucesso deste tipo de experiência pode variar de acordo com o setor da economia em que é realizada. Nesse sentido, ele alertou que, embora seja viável no setor de serviços, a redução de jornada pode se tornar mais difícil no setor industrial.


"No setor de serviços é possível porque há muito trabalho ocioso durante a jornada de trabalho. Já no setor industrial não é possível, pois para isso seria necessário aumentar a produtividade, o que exige equipar-se de máquinas e equipamentos mais novos", explicou.


Oreiro destacou que a indústria brasileira "está há 15 anos estagnada porque não são feitos investimentos em atualização tecnológica". Sem a aquisição em larga escala de maquinários de última geração, seria muito difícil alcançar o aumento de produtividade que a redução de horas exige para ser bem-sucedida, ponderou o especialista.


O economista não acredita que, apesar de o assunto ter entrado na agenda pública, a redução da jornada possa ser incorporada de forma significativa à agenda do governo de Luiz Inácio Lula da Silva.


"Não acho que seja uma agenda que o governo Lula vá ter como fundamental. Não vejo espaço hoje no Brasil para discutir seriamente uma redução das atuais 44 horas para 40 ou 38", arriscou Oreiro.

Embora a redução da jornada de trabalho não pareça ser uma das prioridades do atual governo no Brasil, Lula não se opôs ao tema.


Em entrevista ao UOL Notícias, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, disse:


"É plenamente factível levar toda a jornada máxima para 40 horas semanais. O correto, porém, é nascer isso das lutas sociais. E não simplesmente o governo mandar o projeto de lei propondo isso. Precisa haver um processo de mobilização e por isso minha provocação para os sindicatos".


Melhorar o transporte, uma medida alternativa


Oreiro considerou que o governo do líder do Partido dos Trabalhadores (PT) poderia aplicar algumas medidas mais concretas que, na prática, funcionem como uma melhoria na produtividade e bem-estar da mão de obra do gigante sul-americano.


"Uma coisa que poderia aumentar muito a produtividade do trabalho seria um investimento do governo em transporte público, já que nas grandes cidades brasileiras o trabalhador perde muito tempo de casa para o trabalho e do trabalho para casa", arriscou.


Segundo o economista, é comum o trabalhador brasileiro perder "entre três ou quatro horas por dia" no deslocamento de ida e volta ao trabalho. Um sistema de transporte mais eficiente poderia, ele considerou, melhorar o bem-estar dos funcionários, sem maiores custos para as empresas.


Fonte: Sputnik Brasil

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