Seminário reúne trabalhadores fluminenses em Maricá

O desemprego, a crise econômica agravada no atual governo, a reforma administrativa, a perda de direitos dos trabalhadores e a precarização do emprego foram alguns dos principais assuntos que permearam os debates no 11º Seminário do Fórum Intersindical do Leste Fluminense, realizado nesta quinta-feira (20/10), em Maricá, sob o tema 'O Brasil que queremos e o país que defendemos'. O evento, que também foi transmitido pelo YouTube, contou com a presença de trabalhadores e lideranças sindicais.

Reproduçaõ da Internet

Logo na abertura, um dos coordenadores do Fórum, José Juvino, presidente do Sindicato dos Empregados dos Edifícios de Niterói (SEEN), falou sobre a importância do colegiado na articulação dos trabalhadores desta região do estado do Rio, saudou as mulheres sindicalistas e comemorou a adesão de mais sindicatos que vieram somar forças à luta da classe operária no leste flunminense, entre eles, o dos professores de Maricá, o dos vigilantes e o dos taxistas.


José Juvino agradeceu a todos os colaboradores, independentemente de ideologia, setor ou central sindical. E passou a palavra ao técnico do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), Fernando Benfica.


Mostrando gráficos e números do Dieese e do IBGE nos últimos seis anos, Fernando traçou uma "Análise de Conjuntura", falou sobre PIB, IPCA, INPC e de como todos esses índices afetam o bolso do trabalhador.


"A inflação atingiu o ponto máximo em setembro desse ano. E as maiores altas foram na habitação, no transporte e na alimentação. Não são coisas que se pode cortar, como uma pasagem aérea. A política de preços do petróleo impactam diretamente nos preços, pois a alta é repassada ao consumidor. Tudo indica que a nossa economia está indexada pelo dólar, por conta do petróleo, e isso está causando inflação. Não é detrioração das contas públicas nem excesso de emissão de moedas. É uma questão política estratégica", avaliou.


Fernando Benfica também mostrou como a taxa de desocupação no país aumentou, chegando a 14,1% em 2021, segundo a Pnad, do IBGE. A situação, segundo os números, é mais grave no Nordeste, com 18,2 %, e no Sudeste, que ocupa o segundo lugar em desemprego no país, com 14,5%.


Ele também destacou a mudança nas relações de trabalho que foram introduzidas depois do golpe de 2016. Em apenas quatro anos, 2 milhões de postos de trabalho formal foram perdidos, e o trabalho sem carteira assinada também caiu, assim como a oferta dos empregadores. Em contrapartida, como mostram os números, o trabalho por conta própria aumentou. Sem direitos, sem previdência ou garantias os novos 'empreendedores', assim chamados erroneamente pelo governo federal, acabam engrossando o processo de 'uberização' do emprego no país.


O economista e técnico do Dieese também ressaltou que as negociações entre trabalhadores e empregadores atualmente ficaram mais complicadas, não levam a reajustes reais e as perdas de algumas categorias são grandes.

Reprodução / Dieese

Desemprego e desalento


Em seguida, o ex-ministro do Trabalho e atual Coordenador de Trabalho, Emprego e Renda de Niterói, Brizola Neto, detalhou a questão do desemprego no Brasil e também citou os desalentados, ou seja, os que já desistiram de procurar emprego depois de enfrentar sucessivas rejeições. Esse contingente de 6 milhões de brasileiros sem esperança, segundo ele, se somam aos outros 14 milhões de desempregados que ainda buscam por vaga e oportunidade de trabalho formal. Mas há, ainda, os informais.


"Cerca de 40 milhões foram empurrados para a informalidade. São empregos precários, mal remurenados, sem direitos. O trabalhador que perdeu o emprego formal de carteira assinada na pandemia, teve acesso ao seguro desemprego, que é de até R$ 1,8 mil. Mas no mercado informal, o trabalhado que perdeu renda teve que esperar pelo auxílio emergencial, que demorou muito. O valor de R$ 600 que o congresso aprovou, o governo queria que fosse R$ 200 e, na primeira oportunidade, reduziu para um quarto do valor", criticou.


Brizola Neto também falou da desindustrialização e da política implementada pelo atual governo no setor de petróleo, que impactou não apenas a cadeia produtiva do óleo e gás, mas também no setor naval, provocando a perda de empregos e transferindo esses mesmos postos de trabalho para países como Singapura, que substituiu o pólo naval de Niterói na construção de plataformas offshore. Da mesma forma, ele citou o exemplo da deterioração da indústria do calçado no país, que hoje é líder em exportação de couro, mas lidera a importação de calçados.


"A indústria brasileira se deslocou pra fora do país e o emprego intermediário, o da fábrica, foi para a China e para o mercado asiático", observa.


Segundo Brizola Neta, a atual situação da economia se deu em função de um modelo adotado desde a década de 1990, marcado pelo desmonte do estado e cuja premissa básica é de que "estado não deve intervir no desenvolvimento da economia, pois essa seria uma tarefa do mercado."


"A partir daí, surgiram um conjunto de medidas, como as privatizações, a desregulação da economia e a abertura indiscriminada do mercado. Isso destruiu a indústria brasileira, que hoje tem cerca de 10% de participação no PIB.Em 30 anos, dos anos 30 aos anos 80, a média de crecimento da economia brasileira era de 6%. Passamos de uma economia essencialmente agrária para uma das maiores potências industriais do planeta. Mas esse modelo foi desmontado e isso explica muito sobre a deterioração do mercado de trabalho no Brasil", explica.


Empregabilidade


Para o Coordenador de Trabalho, Emprego e Renda de Niterói, a solução é tentar mitigar esse impacto gerando ações de empregabilidade, como o município vem fazendo. Brizola Neto destacou os esforços que a prefeitura vem fazendo para fomentar a economia local, entre eles os investimentos da ordem de R$ 2 bilhões oriundos dos cofres públicos e que atraem também a iniciatica privada a participar do movimento de retomada.


Entre as ações para recuperação do emprego na cidade, ele citou a implementação do Sine municipal, a intermediação de mão de obra entre trabalhador e empregador, capacitação para setores que ajudam a alavancar a economia, apoio ao empreendedorismo e à economia solidária. Além disso, foi criado o Conselho Municipal de Trabalho Emprego e Renda, já aprovado pela Câmara, formado por representantes dos trabalhadores, empregadores e governo; e também o Fundo Municipal de de Trabalho, Emprego e Renda, que receberá recursos da prefeitura, do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e de multas aplicadas pela justiça do trabalho.













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