Até 46% de professores e alunos podem contrair vírus

Atualizado: 22 de ago. de 2020


Em meio a discussões sobre a volta às aulas, uma simulação sobre a dispersão do novo coronavírus calcula que 60 dias após a retomada presencial, entre 11% e 46% dos alunos e professores de uma escola poderão ser infectados. Quanto menores os espaços, e sem o cumprimento rigoroso das regras de distanciamento e higiene, o percentual de infectados será maior. O estudo foi feito pelos grupos de estudo Ação Covid-19 e Repu (Rede Escola Pública e Universidade), que reúnem pesquisadores de UFABC, Unifesp, UFSCar, IFSP, Universidade de Bristol (na Inglaterra) e Escola de Aviação do Exército da Colômbia.


A simulação levou em conta a volta de 35% dos alunos, tomando por base o protocolo da Secretaria Estadual de Educação de São Paulo, que planeja o retorno das aulas presenciais a partir de 7 de outubro. Considerando que a cada dez dias uma pessoa na unidade escolar seja infectada, o estudo avaliou como seria a dispersão do vírus em todo o ambiente escolar. A base do cálculo é de 39% de chance de transmissão de um infectado para outra pessoa, especialmente em momentos de maior proximidade entre alunos e funcionários.


Segundo Patrícia Magalhães, pesquisadora da Universidade de Bristol, foram dois cenários estudados: uma escola com maior espaço, que permite maior distanciamento, e outra menor. Para a primeira simulação, os pesquisadores usaram os dados de uma escola estadual de Pinheiros, na zona oeste da capital paulista, com 400 alunos e 9.000 m² de área. Mesmo que todos cumpram as regras de distanciamento e de higiene, o cálculo considera que 70% dos alunos e funcionários só ficariam mais próximos em três situações durante o dia: entrada, intervalo e saída. Ainda assim, 10,7% poderão ser infectados dois meses após o retorno, se houver a presença de um infectado a cada dez dias.


No segundo cenário, os pesquisadores usaram como exemplo uma escola menor e mais cheia, em Brasilândia, zona norte da capital, com 700 alunos e 6.500 m². Mesmo que as regras de distanciamento e higiene sejam cumpridas, a dispersão do vírus será maior em função do espaço reduzido. Em dois meses, considerando a entrada de um infectado a cada dez dias, 46,3% seriam infectados. Isso significa, de acordo com a pesquisadora, que em escolas mais adensadas a contaminação será sempre maior. Ela ressalta que a simulação se baseia apenas nas interações dentro das escolas, sem contar o trajeto de alunos e professores até as unidades, além do contato com familiares.


“A reabertura das escolas vai mudar a dinâmica da epidemia no estado porque os colégios não são ilhas, não são bolhas protegidas. O cálculo mais conservador mostra o potencial de dispersão apenas dentro das unidades, mas precisamos considerar que essas pessoas vão voltar para casa, vão usar transporte público e infectar ainda mais gente”, afirma o professor de políticas educacionais Fernando Cássio, da UFABC e integrante da Repu.


Conclusões


As simulações mostram que a dinâmica de disseminação depende das caraterísticas físicas e demográficas das escolas. Novas infecções só poderão ser evitadas se a quantidade de estudantes nos ambientes escolares for bem inferior aos 35% recomendados pelo governo de São Paulo. No caso de escolas menores ou mais adensadas, a propagação do vírus só poderia ser controlada com o retorno de menos de 7% dos alunos.




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