Siro Darlan: "O judiciário no Brasil acabou"


Em entrevista concedida ao jornalista Paulo Marinho no programa “100% Educação”, da Rádio Bandeirantes, o desembargador Siro Darlan, em um desabafo, afirmou que “o judiciário no Brasil acabou”. Depois de ter sido afastado do cargo e denunciado em inquérito para apurar suposta venda de sentenças judiciárias, Siro Darlan foi inocentado no ano passado com a anulação, pelo Supremo Tribunal Federal, das provas contra ele, baseadas em sua maioria em denúncia anônima.


“Desde que esse juiz Moro decretou que a lei é o ele quiser, o que sair do seu bolso, o que sair da sua cabeça, e não os princípios que estão na Constituição, o judiciário no Brasil acabou. Ficou à mercê de juízes fascistas que fazem o que querem. É um judiciário racista. O Moïse morreu no tronco, a pauladas”, enfatizou o magistrado, referindo-se ao congolês Moïse Kabagambe, brutalmente assassinado em um quiosque da praia da Barra da Tijuca na semana passada.


Segundo Darlan, existe um forte componente racista dentro do judiciário brasileiro, constituído por “menos de 11% de negros”, em um país cuja população de descendência africana passa dos 55%. “Não se vê negros no judiciário, nem no Ministério Público. Hoje os negros são apartados denro do sistema penitenciário, onde representam mais de 70%” da população carcerária, disse o desembargador.


Siro Darlan fez um relato indignado das seis operações de busca e apreensão realizadas pela polícia na sua casa, quando ainda era investigado. Segundo ele, até as roupas íntimas da sua mulher foram reviradas em busca de possíveis provas.


“Nada encontraram. Não houve crime nenhum, apenas a aplicação da lei em um caso concreto. Mas atingiram o objetivo que queriam. Junto com a TV Globo - eles vão sempre com a TV Globo atrás -, disseram que eu era um vendedor de sentenças. Atingiram a minha honra, cometeram um assassinato de reputação, que está sendo corrigido agora por decisão do STF, graças a Deus. Mas fica a marca, assim como fizeram com o reitor Canceller - Luiz Carlos Cancellier de Olivo, ex-reitor da Universidade Federal de Santa Catarina -, que tirou a própria vida por vergonha”, relembrou o caso das falsas acusações feitas pela Polícia Federal contra o professor que acabou se suicidando.


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