Sob pressão, Bolsonaro fala em 'busca incansável' de sumidos


A indignação dos britânicos projetada num dos principais cartões postais de Londres (Reprodução)

Sob forte pressão internacional devido ao desaparecimento do jornalista britânico Dom Phillips e do indigenista brasileiro Bruno Pereira na Amazônia, o presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou, em discurso oficial na Cúpula das Américas nesta sexta-feira (10), que seu governo faz uma "busca incansável" pelos desaparecidos.

"O britânico Dom Phillips e brasileiro Bruno Pereira desapareceram no Vale de Javari e desde o primeiro momento nossas Forças Armadas e a Polícia Federal estão em uma busca incansável. Pedimos a Deus que sejam encontrados com vida", declarou Bolsonaro.

Na última terça-feira, Bolsonaro chegou a dizer que os dois podem ter sido executados e criticou o que chamou de "aventura não recomendável", da dupla, como que criticando os profissionais pelas suas supostas mortes. "E realmente duas pessoas apenas num barco, numa região daquela, completamente selvagem, é uma aventura que não é recomendável que se faça. Tudo pode acontecer. Pode ser um acidente, pode ser que eles tenham sido executados. a gente espera e pede a Deus para que sejam encontrados brevemente", afirmou, na ocasião, em entrevista ao SBT News.

O caso vem ganhando cada vez mais espaço e força no noticiário internacional, com cobranças ao governo brasileiro por mais empenho nas buscas e críticas pela lentidão.

STF manda tomar 'todas as providências'

O ministro Supremo Tribunal Federal (STF), Luis Roberto Barroso, determinou que governo federal adote imediatamente "todas as providências necessárias" para a localização de Dom Phillips e de Bruno Pereira. Barroso também determinou que o governo apresente, em até cinco dias, um relatório com as providências executadas para o cumprimento da decisão.

A decisão determina que sejam intimados o

"Sem uma atuação efetiva e determinada do Estado brasileiro, a Amazônia vai cair, progressivamente, em situação de anomia, de terra sem lei. É preciso reordenar as prioridades do país nessa matéria", escreveu o ministro na decisão, que determina a intimação do ministro da Justiça, Anderson Torres, o diretor-geral da PF, Marcio Nunes de Oliveira, e o presidente da Funai, Marcelo Xavier, sob pena de multa diária de R$ 100 mil em caso de descumprimento.

Imagem na Torre Bridge

Na noite de quinta-feira, os apelos chegaram à Tower Bridge, em Londres, um dos principais cartões postais da capital inglesa, com uma imensa projeção na torre "Onde estão Dom Phillips e Bruno?". A mensagem refletia a indignação britânica com o desaparecimento do repórter do The Guardian, especialista em meio ambiente, e do antropólogo da Funai, expert em contato com tribos isoladas.

Na manhã desta sexta-feira (10), o Alto Comissariado da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos cobrou o governo e pediu para que este redobre os esforços e os recursos empregados nas ações de busca pelos dois.

A porta-voz da agência da ONU, Ravina Shamdasani, também teceu críticas à demora do governo brasileiro para começar as buscas.

Phillips estava trabalhando em um livro sobre a preservação da floresta e entrevistando populações indígenas na região. Já Pereira foi coordenador regional da Funai de Atalaia do Norte por nove anos.

Há fortes suspeitas de terem sido pegos por bandos criminosos que atuam na região, uma vez que o brasileiro já tinha sido ameaçado naquela área.

"Maravilhado" com Biden

Bolsonaro durante encontro com Biden em Los Angeles (Foto: Alan Santos/PR)

No discurso na cúpula nesta sexta-feira, Bolsonaro defendeu a política ambiental brasileira, mesmo com o desmatamento recorde em seu governo, e declarou que o Brasil é um dos "países que mais preserva o meio ambiente no mundo". Eufórico, Bolsonaro elogiou o encontro com Joe Biden, com quem disse estar "maravilhado".

"Ontem estive com o presidente Biden numa bilateral ampliada e numa mais reservada. Ficamos por 30 minutos sentados, numa distância inferior de um metro e sem máscara. Senti em Biden sinceridade e vontade para resolver problemas que fogem da responsabilidade de cada um de nós. Acredito que todos trabalhando dessa maneira atingiremos nosso objetivos, em especial o governo americano. A experiência foi fantástica. Estou maravilhado e acreditando em suas palavras", discursou o presidente do Brasil.

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