STF ordena extradição e prisão de blogueiro bolsonarista

Atualizado: 22 de out. de 2021


Ministro Alexandre de Moraes, do STF (Foto: Agência Brasil) e blogueiro Allan dos Santos (Foto: Reprodução)

O blogueiro de extrema direita Allan dos Santos, fundador do canal de fake news Terça Livre, teve sua prisão preventiva decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou também que o Ministério da Justiça inicie imediatamente o processo de extradição. Allan foi morar nos Estados Unidos, para onde fugiu alegando que estava sendo perseguido pela Justiça, assim que entrou na mira do inquérito das fake news e dos atos antidemocráticos em meados do ano passado, e está com o visto vencido.

Alvo de bloqueios do Twitter e do Youtube após decisões de Moraes, o blogueiro vinha driblando a decisão ao reproduzir conteúdo em outro canal do Youtube, com mais de 52 mil inscritos. Em um dos programas, ele chegou a dizer que o "TL está ativo", se referindo ao canal bloqueado.

Além do inquérito das fake news e atos antidemocráticos, Allan é investigado no inquérito aberto em julho do ano passado sobre atuação de uma milícia digital que atua contra a democracia e as as instituições no país - da qual o ex-deputado bolsonarista Roberto Jefferson é acusado de ser um dos comandantes e, por isto, está preso preventivamente.

Moraes ordenou ainda que a Polícia Federal inclua o mandado de prisão na lista da Difusão Vermelha da Interpol, para garantir que ele seja capturado e extraditado para o Brasil. Por decisão do ministro, também foi acionada a embaixada dos Estados Unidos.

Influência sobre Bolsonaro

A Polícia Federal aponta que Allan dos Santos agiu para influenciar o presidente Jair Bolsonaro e parlamentares da base a darem um golpe de Estado durante os atos antidemocráticos realizados em abril e maio de 2020. As informações fazem parte do inquérito das milícias digitais.

"A partir da posição privilegiada junto ao Presidente da República e ao seu grupo político, especialmente os Deputados Federais Bia Kicis, Paulo Eduardo, Martins, Daniel Silveira, Caroline de Toni e Eduardo Bolsonaro, dentre outros, além e particularmente o Ten-Cel. Mauro Cesar, ajudante de ordens do Presidente da República, a investigação realizada pela Polícia Federal apresentou importantes indícios de que Allan dos Santos tentou influenciar e provocar um rompimento institucional", relata a PF.

A PF descobriu que Allan encaminhou mensagens ao ajudante de ordens de Bolsonaro frisando a "necessidade de intervenção militar". Na conversa, ele diz que "as FFAA (Forças Armadas) precisam entrar urgentemente", pois "não dá" mais para aceitar decisões do STF.

Nos atos do 7 de Setembro deste ano, Bolsonaro fez discurso golpista e de ataques ao STF. Após repercussão negativa e vendo-se sem apoio suficiente, Bolsonaro divulgou uma carta no dia seguinte, recuando nas ameaças.



300x250px.gif
728x90px.gif