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STF vai decidir se Lei da Anistia pode perdoar sumiços de corpos na ditadura

  • 11 de fev. de 2025
  • 2 min de leitura

(Foto: Joan Royo Gual/Sputnik)
(Foto: Joan Royo Gual/Sputnik)

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu por maioria, nesta terça-feira (11), que vai reavaliar a constitucionalidade da Lei da Anistia aplicada ao crime de ocultação de cadáver no período da ditadura militar.


Previsto para ser concluído na próxima sexta-feira (14), o julgamento foi reiniciado após pedido do relator da ação, ministro Flávio Dino, em dezembro, para fixar uma tese para que o sumiço de corpos sem a possibilidade de sepultamento pelas famílias seja tratado como crime permanente.


Já acompanharam Dino os ministros Luiz Fux, Luís Roberto Barroso, Cármen Lúcia, Alexandre de Moraes e Edson Fachin.


A proposta de Dino baseou-se em uma denúncia que o Ministério Público Federal (MPF) apresentou, em 2015, contra os tenentes-coronéis Lício Augusto Ribeiro Maciel e Sebastião Curió Rodrigues de Moura pelos crimes de homicídio qualificado (Lício) e ocultação de cadáver (Lício e Sebastião), cometidos durante a Guerrilha do Araguaia.


A denúncia não foi recebida, sob o argumento de que os crimes em questão haviam sido perdoados pela Lei da Anistia. O MPF recorreu a um tribunal regional, que manteve a decisão. Em 2024, um recurso extraordinário apresentado pelo MPF foi admitido pelo Supremo Tribunal Federal, sob a relatoria de Dino.


Segundo dados oficiais, mais de 80 pessoas morreram durante a guerrilha. Um dos casos mais emblemáticos foi o assassinato do engenheiro, oficial da reserva do Exército e integrante do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) que teve o corpo amarrado a um helicóptero e exibido por toda a região.


O Brasil chegou a ser condenado em 2010 na Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), da Organização dos Estados Americanos (OEA), por não ter punido os responsáveis pelas mortes e desaparecimentos no episódio.


O ministro citou como exemplo para embasar sua decisão o premiado filme "Ainda estou aqui", que concorre ao Oscar deste ano, sobre o desaparecimento do ex-deputado Rubens Paiva, assassinado pela ditadura em 1971 e cujo corpo nunca foi encontrado.


"A história do desaparecimento de Rubens Paiva, cujo corpo jamais foi encontrado e sepultado, sublinha a dor imprescritível de milhares de pais, mães, irmãos, filhos, sobrinhos, netos, que nunca tiveram atendidos os seus direitos quanto aos familiares desaparecidos. Nunca puderam velá-los e sepultá-los, apesar de buscas obstinadas como a de Zuzu Angel à procura do seu filho", escreveu o ministro do STF em dezembro.


Da Sputnik Brasil, parceira do TODA PALAVRA

 
 
 

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