Sucessor da roubalheira de Cabral, Pezão pega 98 anos


(Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

O ex-governador do Rio Luiz Fernando Pezão foi condenado a 98 anos e 11 meses de prisão, por corrupção. A sentença foi publicada nesta sexta-feira (4), pelo juiz titular da 7ª Vara Federal Criminal, Marcelo Bretas. Os crimes atribuídos ao ex-governador dizem respeito a desdobramentos da Lava Jato no Rio. Em nota, Pezão afirmou que a denúncia não apresenta provas.

O juiz considerou em sua sentença que Pezão, como ex-vice governador (2007 a 2014) de Sérgio Cabral, deu continuidade aos crimes. Pezão foi eleito governador em outubro de 2014.

“A presente ação penal é decorrente das revelações feitas por Carlos Miranda em seu acordo de colaboração premiada homologado pelo Supremo Tribunal Federal, bem como desdobramento das ações penais Operação Calicute, Operação Eficiência e Operação Boca de Lobo, levadas a cabo pelo Ministério Público Federal e Polícia Federal", escreveu o juiz, dizendo ainda que ficou demonstrado que Pezão "fazia parte da organização criminosa" e que, "ao assumir como chefe do Executivo estadual, continuou a praticar crimes de corrupção, desvio de recursos públicos e lavagem de ativos no estado do Rio de Janeiro, conforme já ocorria no governo Cabral.”

Nota de Pezão

Em nota, Pezão afirmou que a denúncia não apresenta provas, "assim como não há sinais exteriores de riqueza que pudessem sugerir práticas ilícitas" e acrescenta que "a sentença é calcada em mentiras de delatores condenados que visam a redução das penas".

A nota:

"Com relação à denúncia, não foi apresentada nenhuma prova material que demonstre qualquer ganho pelo ex-governador, assim como não há sinais exteriores de riqueza que pudessem sugerir práticas ilícitas. A sentença é calcada em mentiras de delatores condenados que visam a benefícios e redução das penas. Cabe ressaltar que todos os empresários ouvidos sob juramento afirmam que o governador nunca pediu nenhuma vantagem indevida. Tais testemunhos foram estranhamente ignorados pelo juízo O ex-governador já acionou os advogados para recorrer da sentença e confia que os Tribunais superiores vão anular esta condenação espúria e restabelecer finalmente a verdade."

Pedido de investigação pela Corregedoria

A divulgação da sentença de Bretas, ocorreu um dia após a Ordem dos Advogados do Brasil entrar com pedido para que o magistrado seja investigado pela Corregedoria da Justiça por conta de uma denúncia de que ele negociaria penas.

A denúncia foi feita pelo advogado criminalista Nythalmar Dias Ferreira em delação premiada à Procuradoria-Geral da República (PGR). O delator acusa Bretas de negociar penas, orientar advogados, investigar, combinar estratégias com o Ministério Público, direcionar acordos, pressionar investigados, manobrar processos e de ter tentado até influenciar eleições.

Na delação, obtida pela revista Veja nesta sexta-feira (4), o ex-advogado de réus da Lava Jato diz ter a gravação de uma conversa entre ele, o juiz e um procurador da República encarregado da Lava Jato em 2017 que provaria as acusações.

Neste sábado (5), o ex-deputado federal e ex-presidente da OAB-RJ, Wadih Damous, defendeu o 'afastamento preventivo' do juiz da 7ª Vara Federal Criminal.

Segundo Damous, o afastamento torna-se necessário após a denúncia oficial de um delator.

"Marcelo Bretas condenou o ex-governador Pezão a uma pena de 98 anos e 11 meses de prisão. É uma pena estratosférica. Depois das denúncias contra o juiz bombadão, condenações como essa estarão sob suspeita. O juiz fuzileiro deveria ser afastado de suas funções preventivamente", escreveu o ex-parlamentar em sua conta no Twiter.

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