Surto de varíola dos macacos está sob controle em Niterói

Atualizado: 30 de ago.

Os casos de varíola dos macacos continuam aumentando no país. Até o fechamento desta edição, o Brasil havia registrado 4.144 casos, de acordo com dados do Ministério da Sáude. E em Niterói, segundo a Secretaria Municipal da Saúde (SMS), os registros, até o momento, são de 30 casos. Todos vêm sendo acompanhados e monitorados pela Coordenação de Vigilância em Saúde, sem necessidade de internação.

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Também de acordo com a SMS, as unidades municipais de saúde estão preparadas para atendimento e diagnóstico da doença. A orientação para pessoas com sintomas de varíola dos macacos é de que procurem assistência médica na unidade mais próxima de casa para fazer uma avaliação e proceder ao exame. As amostras colhidas de material são encaminhadas ao Lacen-RJ (Laboratório Central de Saúde Pública Noel Nutels), responsável pela realização da análise.


Em entrevista ao programa Bom Dia Niterói, na Rádio Toda Palavra, o médico especialista em DST, professor e titular chefe do Setor de DST da Universidade Federal Fluminense, Mauro Romero, conta que atendeu quatro casos confirmados de varíola dos macacos no consultório da UFF, e que outros seis pacientes que procuraram o setor estão sob suspeita. Todos eram homens que apresentavam lesões genitais, e que acreditavam se tratar de DST. O material foi colhido para exame, enviado para o labratório Miguelote Viana, do Instituto Vital Brasil, e de lá seguiu para análise no Lacen-RJ. Os quatro primeiros resultados foram positivos.


O contato sexual, especialmente entre homens, como vem sendo notificado em vários países, é uma das fontes de contaminação. Mas, segundo ele, é preciso deixar bem claro que não é a única. Os estados de São Paulo e Bahia, por exemplo, já registraram infecção entre bebês com menos de um ano. E entre as mulheres houve aumento de 1,4% para 6,8%, de acordo com o último levantamento realizado pelo Ministério da Saúde.

Dr. Mauro Romero / Divulgação

Nas relações sexuais, Mauro Romero ressalta que o risco vem do contato com vários parceiros. Um dos primeiros sintomas que o médico vem observando entre os pacientes é a dor de garganta. Nessa fase, antes mesmo do aparecimento das feridas, a doença já passa a ser transmissível.


Mas apesar do aumento de casos, ele afirma que a população não precisa ficar alarmada:


"É uma doença benigna e a grande maioria dos pacientes tem evolução para a cura das lesões de forma natural, com cicatrizes mínimas. O tratamento inclui analgésico para a dor e a higienização é muito importante. Com clorexidine a 2%, ou álcool a 70%, e água e sabão. Além disso, é preciso proteger as lesões, cobri-las com curativos, porque são uma fonte de transmissão", afirmou.


O médico conta que, por ser uma doença nova, muitos casos não estão sendo diagnosticados corretamente e notificados.


"A varíola dos macacos tem sido confundida com sífilis, varicela, herpes zóster e até com alergia. Acaba entrando no roll de outras doenças. Por isso, os números provavelmente devem ser maiores. E há ainda aquelas pessoas que têm contato com infectados e não procuram o serviço de saúde. Os profissionais nos consultórios precisam estar atentos e, na dúvida, solicitar logo a testagem", observou.


Anvisa aprova importação de vacina e antiviral


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou na última quarta-feira (25/8) - por unanimidade -, em Brasília, a dispensa de registro para que o Ministério da Saúde (MS) importe e utilize no Brasil a vacina Jynneos/Imvanex contra a varíola dos macacos. Em outra decisão unânime, a Anvisa autorizou a dispensa de registro para que o Ministério da Saúde importe e use no país o medicamento Tecovirimat, para tratamento da mesma doença.


“O imunizante é destinado a adultos com idade igual ou superior a 18 anos e possui prazo de até 60 meses de validade, quando conservado entre -60°C e -40°C. A dispensa temporária e excepcional se aplica somente ao Ministério da Saúde e terá validade de seis meses, desde que não seja expressamente revogada pela Anvisa”, explicou a agência.


Em seu voto, a diretora relatora Meiruze Freitas destacou que a varíola dos macacos é causada por um vírus semelhante ao da varíola e que, portanto, é esperado que a vacina previna ou reduza a gravidade da infecção pela doença. Apesar disso, ela ressaltou a necessidade de estudos de monitoramento para a confirmação da efetividade do produto.

Ilustração / Reprodução

A decisão da Anvisa teve como base o relatório de avaliação da agência americana Food and Drug Administration (FDA) para a vacina Jynneos, as informações públicas emitidas pela Agência Europeia de Medicamentos (European Medicines Agency – EMA) e pela agência do Reino Unido (National Health Service – NHS), além da bula, dizeres de rotulagem e demais documentos apresentados pelo Ministério da Saúde.


“A documentação encaminhada pelo Ministério da Saúde é a mesma disponibilizada pela FDA, sendo que o produto importado deverá corresponder às mesmas características do pedido avaliado pela Anvisa”, explicou a agência.


Acrescentou que no Brasil, até o momento, não há submissão de protocolo de ensaio clínico em vacinas para ser conduzido nacionalmente, e também não existe protocolo submetido ou mesmo vacina já registrada pela Anvisa com a indicação de imunização contra a varíola dos macacos.


Sobre a autorização do antiviral, a Anvisa destacou que ela se aplica ao medicamento Tecovirimat, concentração de 200 mg, na forma farmacêutica cápsula dura, uso oral, prazo de validade de 84 meses e indicado para o tratamento de doenças causadas pelo Orthopoxvirus em adultos, adolescentes e crianças com peso mínimo de 13 kg.


“O produto a ser importado é o mesmo autorizado nos Estados Unidos para a empresa Siga Technologies, fabricado pela Catalent Pharma Solutions, localizada em Winchester, Kentucky, nos Estados Unidos”, disse a Anvisa.


A dispensa temporária e excepcional se aplica somente ao Ministério da Saúde e terá validade de seis meses, desde que não seja expressamente revogada pela Anvisa. A diretora Meiruze Freitas destacou, em seu voto, que o conhecimento prévio da agência sobre o medicamento, resultado da comunicação e da interação com as autoridades que avaliaram o produto, permitiu a rápida conclusão do processo.


Ela disse, ainda, que o acesso ao medicamento pode salvar vidas e controlar os danos da varíola dos macacos, especialmente para os pacientes com maiores riscos. Assim como no caso da vacina contra a doença, no Brasil, até o momento, não há submissão de protocolo de ensaio clínico em medicamento para ser conduzido nacionalmente, nem existe protocolo submetido ou mesmo remédio já registrado pela Anvisa com a indicação de tratamento da varíola dos macacos.


OMS e a doença no mundo


A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o surto uma emergência de saúde global em julho. Até o fechamento desta edição, mais de 41 mil casos e 12 mortes por varíola dos macacos foram relatados em 96 países. A maioria dos casos se concentra nos Estados Unidos. O número de casos registrados globalmente diminuiu 21% na semana encerrada em 21 de agosto, após uma tendência de um mês de aumento de infecções, de acordo com o último relatório epidemiológico da OMS.


"Há sinais de que o surto está diminuindo na Europa, onde uma combinação de medidas eficazes de saúde pública, mudança de comportamento e vacinação está ajudando a prevenir a transmissão", disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em entrevista coletiva.


Ainda assim, mais de uma dúzia de países viram um aumento no número de casos semanais, com o maior crescimento relatado nos Estados Unidos. Mais de 34% da atual contagem global de casos está no país norte-americano. A OMS disse que as infecções na região das Américas mostraram "um aumento contínuo e acentuado" na semana anterior.


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