Talibã defende presença das mulheres no novo governo


(Reprodução)

Os talibãs, que instauraram o Emirado Islâmico depois da reconquista sem resistência de Cabul, declararam uma “anistia” em todo o Afeganistão e defenderam a participação das mulheres no governo. Enamullah Samangani, membro da Comissão Cultural do Emirado Islâmico, fez os primeiros comentários sobre o novo governo do Afeganistão após a reconquista do país por parte do grupo extremista, dizendo que elas devem estar na estrutura governamental de acordo com a lei sharia (conceito legal amplo, atualmente adotada em diversos países com predominância da cultura islâmica).

Em discurso transmitido pela televisão do antigo Estado afegão, controlada desde domingo (15) pelos talibãs, Samangani afirmou que “o Emirado Islâmico não quer que as mulheres sejam vítimas”, defendendo que “elas devem estar na estrutura do governo de acordo com a lei sharia”.

O representante do Emirado Islâmico acrescentou que “a estrutura do governo não está totalmente definida”, mas afirmou que “com base na experiência, deve haver uma liderança totalmente islâmica e todas as partes devem juntar-se”.

De acordo com a Associated Press, que cita a declaração transmitida pela televisão, Samangani não avançou com mais detalhes, mas sugeriu que o povo afegão já conhece as regras da lei islâmica que os talibãs esperam que sigam. “O nosso povo é muçulmano e não estamos aqui para os forçar ao Islã”, disse.

Por outro lado, os talibãs declararam que "uma anistia geral foi declarada para todos e que, por isso, todos devem regressar à normalidade, em confiança".

Aeroporto de Cabul

De acordo com relatos das agências internacionais, "a calma voltou ao Aeroporto Internacional de Cabul depois de um dia caótico, marcado pela invasão de centenas de pessoas pró-EUA à pista do aeroporto, numa tentativa desesperada de fuga a bordo dos aviões dos Estados Unidos.

Alguns vídeos mostram pessoas se pendurando nas laterais do avião, havendo relatos de vítimas que caíram quando houve a decolagem. Soldados norte-americanos dispararam contra a multidão matando ao menos duas pessoas, segundo admitiu o Pentágono. Há registro de pelo menos sete mortos na segunda-feira no aeroporto de Cabul.

Nesta terça-feira, o número de civis no aeroporto é muito menor, e os voos militares de repatriamento foram retomados. Dois aviões militares, um francês e um alemão realizaram a primeira retirada de pessoas de Cabul.

Um avião militar francês fez, de madrugada, a primeira retirada de pessoas do aeroporto. "Uma espécie de ponte aérea" deve tirar do país os franceses e os civis afegãos que colaboraram com o seu Exército entre 2001 e 2014.

"Lançamos as bases para uma ponte aérea entre Cabul e Abu Dhabi", disse a ministra da Defesa francesa, Florence Parly, em entrevista à rádio RTL, acrescentando que novos voos poderão ser organizados nos próximos dias.

Parly não quis dar uma estimativa de quantos afegãos poderiam chegar à França dessa forma, considerando que seria prematuro. Segundo a ministra, nos últimos anos, já houve "várias centenas" de pessoas que saíram do país.


Com Agência Brasil

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