Teich: Dinheiro da saúde é muito pouco para ser gasto em coisas que não funcionam


Ex-ministro da Saúde, Nelson Teich, deu entrevista à Globonews: (protocolo da cloroquina) vai ser revisto (Ag. Brasil)

Nelson Teich, ex-ministro da Saúde do governo Bolsonaro, admitiu que debate sobre cloroquina teve "peso" em sua saída do cargo e afirmou que protocolo sobre uso da substância deve ser "revisto".

"É óbvio que a opção por antecipar o uso teve peso, porque é uma escolha. O presidente achava melhor antecipar, e eu achava que não. Houve uma divergência. Como a gente não tem um dado efetivo... Se o Conselho autoriza, por que eu não posso autorizar? Por que você não pode autorizar, entendeu? As instituições têm de se posicionar forte. Não dá para delegar isso para o médico, a situação é muito intensa e complexa", disse em entrevista para o canal GloboNews.

Pouco após Teich deixar a pasta, o Ministério da Saúde divulgou um novo protocolo sobre o uso da substância, autorizando sua utilização na rede pública em pacientes com sintomas leves da COVID-19. O Conselho Federal de Medicina também liberou o uso do medicamento, embora não tenha recomendado sua utilização.

Teich, no entanto, disse que essa medida pode mudar: "Eu acredito que [o protocolo da cloroquina] vai ser revisto."

Durante a entrevista, Teich procurou não criticar o presidente Jair Bolsonaro, com quem disse ter tido um diálogo aberto. Sobre seu pedido de demissão, afirmou que foi "confortável".

'Não vou entrar em discussão contra o presidente'

"O presidente é a pessoa escolhida, votada, é o representante, ele me colocou lá. Se eu escolho o caminho diferente do dele, quem tem de sair sou eu", afirmou o médico oncologista.

Em outro momento, disse que será o "povo" que "vai dizer o que" acha do presidente, mas ele não iria julgá-lo.

"Não vou entrar em discussão contra o presidente, não vai ser uma disputa Teich e Bolsonaro. Vou te dizer o que eu fiz, e que nunca teve interferência do presidente", afirmou.

Ele também comparou os recursos disponíveis nos Estados Unidos e no Brasil, argumentando que "o dinheiro da saúde é muito pouco para ser gasto em coisas que não funcionam".


Da Agência Sputnik Brasi

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