Testemunhas afirmam que entregador foi executado

O corpo do entregador Elias Lima de Oliveira, de 24 anos, baleado e morto na noite de quarta-feira (24/11), durante incursão de policiais militares no Morro do Palácio, em Niterói, foi velado e sepultado no Cemitério do Maruí, nesta quinta (25/11), por volta das 17h. Cerca de 150 pessoas, entre amigos e familiares estiveram presentes e negaram que os PMs foram recebidos a tiros na comunidade.

Foto: Reprodução / TV Globo

Bastante emocionado, o irmão de Elias, Leonardo Lima de Oliveira, de 34 anos, afirmou que, segundo relato de testemunhas, o entregador foi assassinado.


"Ele estava vivo. A polícia enquadrou e matou. Não teve troca de tiros. As testemunhas disseram que três policiais estavam sem farda e num carro descaracterizado. Meu irmão foi arrastado por eles como um cachorro para dentro do carro. Não foi ação de policiais. Foi uma ação de criminosos", revelou Leonardo, acrescentando que a família é evangélica e que o irmão era trabalhador e pai de uma menina de pouco mais de um ano.


Reprodução / Redes Sociais

Durante o velório, um carro da PM fez parada em frente ao cemitério. Segundo amigos do entregador, os policiais estavam tirando fotos das pessoas no sepultamento, mas quando a maioria notou a presença dos agentes, a viatura deixou o local.


Nas redes sociais, a mulher de Elias, Letícia Ribeiro, resumiu a perda do companheiro:


"Acabaram com a minha família", escreveu ela.


O secretário municipal de Direitos Humanos de Niterói, Raphael Costa, está acompanhando o caso e esteve no Cemitério do Muruí duante o velório do entregador. Ele disse que entrou contato com o comando do 12ºBPM ( Niterói) e que recebeu a informação de que foi aberto um um Inquérito Policial Militar para apurar o caso, e que os PMs envolvidos estão afastados até a conclusão da investigação.


A vereadora Walkíria Nictheroy, que é moradora do Morro do Palácio, recebeu denúncia de que Elias teria gritado que não era bandido, que ra morador da comunidade, antes de ser atingido por disparos. Mas que o policial atirou mesmo assim.


O prefeito Axel Grael lamentou o ocorrido nas redes sociais:


"É inadmissível perder nossos jovens, moradores de comunidades, de uma maneira tão violenta, cujas circunstâncias precisam ser apuradas. Coloco à disposição toda a estrutura da Prefeitura de Niterói, que não mede esforços para apoiar o Governo do Estado na Segurança Pública", publicou em sua página.


Em nota publicada na quinta-feira (25/11) a prefeitura informou que está apoiando a família e que vai acompanhar as investigações:

Reprodução / Redes Sociais

O caso está sendo investigado pela Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e de Itaboraí (DHNSGI), onde um inquérito foi instaurado. Em nota, a polícia informou que as armas usadas pelos policiais militares envolvidos na ocorrência, entre elas um fuzil, foram recolhidas pelos agentes da DHNSGI, e que testemunhas estão sendo ouvidas.


A Polícia Militar afirmou que desconhece o uso de viatura descaracterizada na operação no Morro do Palácio.


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