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The Economist diz que julgamento de Bolsonaro é 'lição de democracia'


The Economist (Divulgação)
The Economist (Divulgação)

A revista britânica The Economist, que chegou às bancas nesta quinta-feira (28), dá destaque em sua capa ao julgamento que começa na próxima terça-feira (2) no Supremo Tribunal Federal (STF) e pode condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e mais sete aliados pela trama golpista ocorrida para tentar reverter o resultado das eleições de 2022 vencida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A revista compara com a situação vivida pelos Estados Unidos após o fim do primeiro governo de Donald Trump derrotado por Joe Biden.


“Imagine um país onde um presidente polarizador perde sua tentativa de reeleição e se recusa a aceitar o resultado. Ele declara a votação fraudada e usa as redes sociais para incitar seus apoiadores a se rebelarem. Eles o fazem, aos milhares, atacando prédios do governo. Então, a insurreição fracassa, o ex-presidente enfrenta uma investigação criminal e os promotores o levam a julgamento por planejar um golpe”, começa a reportagem.


Com o título “O que o Brasil pode ensinar à América", a reportagem detalha o julgamento no STF e afirma que o Brasil “dá um exemplo de maturidade democrática aos Estados Unidos”, que, segundo a revista, está se tornando “mais corrupto, protecionista e autoritário”.


"Os dois países parecem estar trocando de papéis. Os EUA estão se tornando mais corruptos, protecionistas e autoritários - com Donald Trump, nesta semana, interferindo no Federal Reserve [Fed] e ameaçando cidades controladas pelos democratas. Em contraste, mesmo com o governo Trump punindo o Brasil por processar Bolsonaro, o país está determinado a proteger e fortalecer sua democracia", diz o trecho.


Bolsonaro ilustra a capa da tradicional revista britânica com a imagem fundida com a de Jacob Chansley, que ficou conhecido como o “Viking do Capitólio”. No episódio, em janeiro de 2021, uma multidão de apoiadores de Trump tentou impedir uma sessão do Congresso para validar a eleição de Biden. Mais de 950 insurgentes foram acusados de crimes federais e se tornaram réus, resultando em 192 condenações e 484 admissões de culpabilidade. Em 20 de janeiro de 2025, no primeiro dia de seu segundo mandato, Trump concedeu anistia aos condenados e arquivou as outras acusações

Ex-presidente Bolsonaro ilustra uma arte na capa da revista (Foto: The Economist/Divulgação)
Ex-presidente Bolsonaro ilustra uma arte na capa da revista (Foto: The Economist/Divulgação)

Ação penal

A ação penal 2668 tem como alvo o núcleo 1 da trama, também chamado núcleo “crucial”, grupo formado pelo que seriam as principais cabeças do complô.


Pela denúncia do procurador-geral da República, Paulo Gonet, elaborada com base nas investigações da Polícia Federal (PF), Bolsonaro foi o líder de uma trama golpista que tinha como objetivo mantê-lo no poder mesmo com derrota na tentativa de reeleição, em 2022.


Segundo a denúncia, o plano começou a ser colocado em prática em meados de 2021, quando Bolsonaro orientou o alto escalão de seu governo a atacar o sistema eletrônico de votação, de modo a desacreditar o processo eleitoral e criar o clima social propício a uma ruptura democrática.


Ainda segundo Gonet, a tentativa de golpe culminou com o 8 de janeiro de 2023, quando apoiadores de Bolsonaro que não aceitavam o resultado das eleições invadiram e depredaram amplamente as sedes dos Três Poderes, em Brasília.


A Procuradoria-Geral da República (PGR) enfatizou que tais planos chegaram a prever, inclusive, o sequestro e assassinato de autoridades ainda em 2022, entre as quais o ministro do STF Alexandre de Moraes, o então presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, e o vice eleito, Geraldo Alckmin.

 
 
 

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