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Paes oferece a Lula uma sede permanente para o BRICS

  • 8 de jul. de 2025
  • 4 min de leitura

Atualizado: 8 de jul. de 2025

Em abril deste ano, em artigo publicado no site e no jornal TODA PALAVRA, os pesquisadores do NuBRICS/UFF (Núcleo de Estudos do BRICS, da Universidade Federal Fluminense), Eduardo Gomes e Lier Pires Ferreira, defenderam a proposta de transformar a cidade do Rio de Janeiro em sede permanente do BRICS, já que o bloco geopolítico fundado em 2009 até hoje não possui endereço fixo. Com isso, a capital fluminense se tornaria também a capital mundial do Sul Global. O prefeito Eduardo Paes (PSD) percebeu o potencial de oportunidades por trás da ideia e ofereceu ao presidente Lula, nesta segunda-feira (7/7), por ocasião da XVII Cúpula do BRICS realizada em solo carioca, um imóvel vazio no Centro da cidade que poderia abrigar o escritório-sede do grupo.

Reprodução
Reprodução

Trata-se do prédio do Jockey Clube Brasileiro, joia da arquitetura carioca, projetado em 1956 pelo arquiteto Lucio Costa. Localizado na Avenida Almirante Barroso, o edifício está fechado desde 2013, tem 12 andares, 83,5 metros quadrados de área construída, um teatro e um terraço no topo, com vista panorâmica de 360º. O negócio seria vantajoso para a prefeitura e para o Jockey, que deve cerca de 1 bilhão em impostos ao tesouro municipal. O imóvel seria dado em troca das dívidas.

O prédio do Jockey Clube no Centro do Rio / Reprodução
O prédio do Jockey Clube no Centro do Rio / Reprodução

Lula respondeu a Paes que trabalhará com o Itamaraty para tentar viabilizar a proposta, segundo informou, nesta terça (8/7), a coluna de Lauro Jardim no jornal O Globo.


Um dos pais da ideia de tornar o Rio capital mundial do Sul Global, o pesquisador do NuBRICS/UFF e PhD em Direito Lier Pires Ferreira, disse que foi pego de surpresa com a notícia:


“Hoje fui positivamente surpreendido pela matéria veiculada por um importante jornalista do Rio, segundo a qual o prefeito Eduardo Paes ofereceu ao presidente Lula o prédio do Jockey Club como sede permanente dos BRICS. A matéria é a confirmação de que a proposta de transformar o Rio de Janeiro na futura sede permanente dos BRICS, que lancei em artigo assinado em parceria com o Prof. Eduardo Gomes, coordenador do NuBRICS/UFF, e publicado em primeira mão pelo TODA PALAVRA, repercutiu positivamente na prefeitura. Se ela tiver a mesma acolhida no Planalto, quem sabe poderemos avançar na necessária institucionalização dos BRICS, tendo o Rio como sede novel organização internacional. Em que pese os ‘haters’, os BRICS são uma plataforma polifônica e relevante, capaz de expressar os anseios de soberania e de construção de um mundo multipolar, no qual a governança seja mais horizontal e representativas das maiorias globais”, afirma.

Lier Pires Ferreira / Reprodução
Lier Pires Ferreira / Reprodução

Para Elias Jabbour, presidente do Instituto Pereira Passos, se for escolhido como capital mundial do Sul Global, o Rio passará a ocupar outro patamar no cenário mundial.


"O Rio de Janeiro tem a chance, ao sediar o BRICS, de se transformar em um grande centro de negócios, de trocas industriais, trocas de investimento, de virar um grande hub de negócios e de investimentos aqui na América Latina", observa.


Na carta que oficializa a proposta, a Prefeitura do Rio destaca o protagonismo diplomático e os benefícios diretos que a sede fixa do BRICS poderia trazer à cidade, como o aumento da visibilidade internacional, o fortalecimento da imagem global e a geração de empregos, além de estímulo a visitas e investimentos estrangeiros.

Foto: Ricardo Stuckert / PR
Foto: Ricardo Stuckert / PR

Eduardo Paes disse que a cidade está pronta para receber representantes dos países-membros e oferecer a infraestrutura e o cenário adequados para que o grupo avance em suas discussões de forma permanente.


"Reconhecendo a relevância dos BRICS para a reforma da governança global rumo a um desenvolvimento mais equitativo do Sul Global e da economia global, Celebrando a 17ª Cúpula dos BRICS realizada no Rio em julho de 2025 no Museu de Arte Moderna (MAM), Aprofundando o compromisso do Brasil e do Rio com o multilateralismo e o papel do Rio de Janeiro como cidade capital para assuntos internacionais e eventos globais, A Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro oferece ao Governo Nacional Brasileiro, e aos países dos BRICS, um escritório permanente para instituições dos BRICS no Rio. Convenientemente localizado no Centro da cidade, o edifício do Jockey Club de 1957 foi projetado por Lucio Costa, arquiteto modernista brasileiro mundialmente conhecido por desenhar o plano urbanístico de Brasília ao lado de Oscar Niemeyer. O edifício foi concebido para acomodar diversos usos: escritórios, eventos sociais e atividades culturais ao longo do ano: com 12 andares e uma área construída de 83,5 mil metros quadrados em um terreno de de 4,5 mil metros quadrados, o edifício é um marco arquitetônico no Brasil. Abriga comodidades únicas como um teatro e um terraço com vista panorâmica de 360 graus da paisagem urbana da cidade. O Rio apoia o esforço multilateral de fortalecer os BRICS como um importante fórum decisório e instituição do século XXI. A cidade está pronta para receber permanentemente os BRICS", diz o texto.

Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil
Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil

Além de todas as vantagens que o Rio oferece em termos de infraestrutura e suporte, amplamente testados com a realização de grandes eventos, a cidade tem características históricas e geográficas que a tornam ideal para abrigar o escritório fixo do BRICS. Posicionada estrategicamente no Sul Global, a capital fluminense está no mais ocidental dos continentes, o que derruba as acusações de que o BRICS é um movimento político anti-Ocidente.


Transformar o Rio de Janeiro em sede do novo mundo multipolar seria colocar a cidade no centro da nova ordem mundial e do fim do neocolonialismo — duas grandes bandeiras do BRICS. Seria, ainda, uma oportunidade ímpar para ressignificar e superar o processo de decadência política, econômica e cultural em curso há décadas, praticamente desde a transferência da capital federal para Brasília.


Seria, para a cidade, uma nova “abertura dos portos”, quando saltou, em 1808, da sua condição colonial para a de capital imperial. A única, na verdade, que existiu para além do território europeu na história moderna.

 
 
 

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