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Toma lá, dá cá: PEC teria custado R$ 15 milhões por voto

  • 5 de nov. de 2021
  • 2 min de leitura

Barganha por emendas mostra o nível da adesão dos partidos a Bolsonaro (Foto: Zeca Ribeiro/Agência Câmara)

O governo Bolsonaro foi pego mais uma vez fazendo o que chama de "corrupção" e "falta de transparência" nos adversários. O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), teria prometido até R$ 15 milhões em emendas para que deputados votassem a favor da chamada PEC dos Precatórios. Ou seja, negociações no varejo comandadas por Arthur Lira com aval "orçamentário" do Palácio do Planalto. As cifras da negociação foram divulgadas pelo Globo, com base em relatos dos próprios deputados. Além desse valor prometido, o governo Bolsonaro empenhou, desde a semana passada, R$ 1,2 bilhão das chamadas emendas de relator-geral, manobra conhecida como “orçamento secreto”.

No mês passado, durante a primeira investida para a aprovação da proposta, o valor empenhado chegou a R$ 2,95 bilhões. Dessa maneira, a PEC dos Precatórios foi aprovada na madrugada de quinta-feira (4), com quatro votos além do mínimo necessário para aprovação de proposta de emenda parlamentar (PEC) - governo precisava de 308 votos e o placar foi de 312 a favor e 144 contrários.

Para o líder da oposição na Câmara, deputado Alessandro Molon (PSB-RJ), a manobra nada mais é do que o conhecido "toma lá, dá cá", prática contumaz dos partidos do Centrão ao qual Jair Bolsonaro sempre esteve vinculado. "Bolsonaro e a velha política do toma lá da cá: o governo liberou R$ 1,2 bi do "orçamento secreto" na véspera de votação da PEC dos precatórios", escreveu Molon no Twitter.

Para a oposição, esse tipo de barganha por emendas mostra o nível da adesão dos partidos a Bolsonaro e explica até mesmo a adesão de deputados de partidos de oposição, como alguns do PDT e do PSB, além do PSDB, que estranhamente abriu mão do seu discurso fiscalista, votando majoritariamente a favor da medida que representa um rombo bilionário no alardeado teto de gastos.

Além de uma ação protocolada na quinta-feira pelo presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, no Supremo Tribunal Federal (STF), o deputado Marcelo Freixo (PSB-RJ) anunciou nesta sexta que também acionou o STF "junto com vários deputados da esquerda e da direita" na tentativa de anular a votação que aprovou a PEC dos Precatórios. "A presidência da Câmara rasgou o regimento para mudar as regras em cima da hora e aprovar a proposta no tapetão. Vamos reverter esse escândalo", escreveu Freixo no Twitter.

 
 
 

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