Trump diz ter 'química excelente' com Lula e anuncia encontro
- Da Redação

- 23 de set. de 2025
- 3 min de leitura

Numa mudança surpreendente de posicionamento, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta terça-feira (23), durante seu discurso na 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em Nova York, que terá um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na próxima semana. Trump disse ter abraçado e trocado rápidas palavras com "o líder do Brasil" antes de entrar no plenário e ressaltou que a conversa foi marcada por uma “química excelente”.
“Eu estava entrando e o líder do Brasil estava saindo, e nós nos abraçamos. As pessoas ficaram surpresas. Tivemos uma boa conversa por cerca de 20 segundos e concordamos em nos reunir na próxima semana. Ele parece um homem muito agradável, e eu gosto dele e ele gosta de mim. Foi uma química excelente, um bom sinal”, disse Trump, segundo a discursar no plenário da ONU, após a fala de Lula.
Contudo, o presidente estadunidense criticou o Brasil e disse que o país “vai mal e continuará indo mal se não trabalhar em conjunto com os Estados Unidos”.
Trump mencionou as tarifas comerciais impostas ao Brasil e usou fake news e alegações falsas. “O Brasil agora enfrenta tarifas pesadas em resposta aos seus esforços sem precedentes para interferir nos direitos e liberdades dos nossos cidadãos americanos e de outros, com censura, repressão, armamento, corrupção judicial e perseguição de críticos políticos nos Estados Unidos”.
Num discurso marcado pela autoexaltação, o republicano ainda afirmou que “deveria receber o Nobel da Paz” e fez críticas à ONU. “Encerrei sete guerras sem a ajuda da ONU. Onde estavam eles?", disse ele, insistindo em seguida que “palavras vazias não encerram guerras, a única coisa que encerra guerras é ação”.
Sobre as mudanças climáticas no mundo, Trump reforçou a narrativa negacionista e afirmou que “as energias renováveis são uma piada”. As previsões sobre o aquecimento global “foram feitas por pessoas estúpidas”, disse o líder norte-americano de extrema direita.
Israel e a Palestina
Trump disparou também contra os países ocidentais que anunciaram oficialmente o reconhecimento do Estado da Palestina nos últimos dias, afirmando esses governos deveriam se unir em torno da libertação dos reféns mantidos pelo Hamas.
“Infelizmente, o Hamas rejeitou repetidamente ofertas razoáveis de paz. Não podemos esquecer 7 de outubro [...]. Alguns membros [da ONU] estão buscando reconhecer unilateralmente um Estado palestino. Isso seria uma recompensa para os terroristas do Hamas por essas atrocidades horríveis”, discursou o presidente dos EUA, sem mencionar, no entanto, o genocídio do povo palestino em Gaza por Israel já denunciado por vários países, entre eles o Brasil, na Corte Internacional de Justiça (CIJ), também conhecida como Tribunal de Haia.
De acordo com revelações recentes publicadas no jornal The Guardian, em um banco de dados confidencial, as Forças Armadas de Israel identificaram como membros de grupos terroristas apenas 17% do total de mortos por conta da guerra na Faixa de Gaza até maio deste ano. Os outros 83% (cerca de 42 mil pessoas, até aquela data) eram civis, a maioria mulheres e crianças.
Na última quinta-feira (18), os Estados Unidos vetaram um projeto de resolução do Conselho de Segurança da ONU que exigia um cessar-fogo imediato, incondicional e permanente em Gaza, assim como a suspensão de todas as restrições impostas por Israel à entrega de ajuda humanitária no enclave palestino..
O texto, redigido pelos 10 membros eleitos do conselho de 15 membros, também determinava a libertação imediata e incondicional de todos os reféns. A medida recebeu 14 votos.
Essa foi a sexta vez que os EUA usaram o poder de veto no Conselho de Segurança durante a guerra de quase dois anos entre Israel e os militantes palestinos do Hamas.










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