TSE pode investigar Moro por palestras sobre a própria campanha


(Foto: Agência Brasil)

Após revelação do The Intercept Brasil de que o ex-juiz e pré-candidato a presidente da República, Sergio Moro (Podemos), teria feito captação ilícita de recursos através de palestras sobre sua campanha, o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) entrou com representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para investigar suposta prática de "caixa dois" e abuso de poder econômico por parte do político.

De acordo com revelações feitas pelo The Intercept, Moro firmou um contrato com a empresa Ativa Investimentos, do Rio de Janeiro, com o objetivo de negociar duas palestras, por R$ 110 mil, para discutir com investidores sua campanha, propostas e a viabilidade financeira.

O primeiro evento ocorreu na terça-feira passada (15) no luxuoso Janeiro Hotel, no Leblon, Zona Sul do Rio. O segundo deverá acontecer em São Paulo, em data e horário ainda não confirmados. Moro ficou com R$ 77 mil pelas duas palestras.

"Detalhes de uma reunião sigilosa entre Sergio Moro e gestores do mercado financeiro 'selecionados a dedo' no Rio de Janeiro, objetivando tratar da sua campanha eleitoral, levantam suspeitas diante do elevado valor cobrado pelo ex-juiz (R$ 110 mil) e seu marqueteiro de campanha", afirmou o deputado à Revista Fórum.

O deputado defende que os fatos sejam "seriamente investigados", sobretudo "diante da possibilidade de estar o ex-juiz se utilizando de fictícios encontros e eventos para financiar, de forma antecipada, a sua campanha e o seu marqueteiro".

Segundo o parlamentar, os atos do ex-juiz da Lava Jato poderiam configurar captação ilícita de recursos, não contabilização de recursos financeiros (“caixa dois”) e recebimento de recursos de fonte vedada (pessoa jurídica).

De acordo com a reportagem do The Intercept, a empresa que Moro utilizou para receber a remuneração pelas palestras é a mesma que ele declarou ter sido utilizada por ele para prestar serviços à consultoria Alvarez & Marsal, nos Estados Unidos, e da qual recebeu R$ 3,7 milhões por onze meses de atuação. O Tribunal de Contas da União (TCU investiga o possível conflito de interesses em relação a esses ganhos com a consultoria estadunidense, que tem entre os clientes empresas que foram quebradas pela Lava Jato, que foi comandada por ele enquanto juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba.

Recentemente, Moro defendeu que todos os candidatos à presidência abrissem suas contas. Porém, ao contrário do que afirmou, ele se negou a esclarecer sobre os seus ganhos que constam do contrato das duas palestras sobre sua campanha eleitoral.

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