TSE prevê 100 observadores internacionais na eleição


Presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Edson Fachin (Foto: Carlos Eduardo Moura/Agência Brasil)

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Edson Fachin, anunciou nesta terça-feira (17) que convidou mais de 100 observadores internacionais para acompanhar as eleições de 2022 no Brasil. Dentro do grupo, também estarão representantes europeus.

Fachin enfatizou que a criação de uma rede acontecerá para garantir a vinda ao país de observadores europeus, principalmente após o governo Bolsonaro fazer pressão e o próprio tribunal "desconvidar" integrantes da União Europeia.

A iniciativa ocorre em um momento em que o presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a atacar o processo eleitoral. Na segunda-feira (16), em encontro com empresários do setor de supermercados, Bolsonaro discursou dizendo que o Brasil poderia ter "eleições conturbadas". Isto, depois dos ataques em série contra membros do tribunal e o sistema eleitoral que vêm desde as manifestações golpistas do 7 de Setembro do ano passado.

Até o momento, foram convidadas as seguintes organizações: Organização dos Estados Americanos (OEA), Parlamento do Mercosul, Rede Eleitoral da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), União Interamericana de Organismos Eleitorais (UNIORE), Centro Carter, Fundação Internacional para Sistemas Eleitorais (IFES) e Rede Mundial de Justiça Eleitoral.

"O mundo observa, com atenção, o processo eleitoral brasileiro de 2022. Somos, hoje, uma vitrine para os analistas internacionais, e cabe à sociedade brasileira garantir que levaremos aos nossos vizinhos uma mensagem de estabilidade, de paz e segurança [...]", afirmou o ministro em discurso na abertura de uma palestra sobre democracia e eleições na América Latina no TSE.

Ainda discursando, Fachin afirmou que o Brasil não consente mais com "aventuras autoritárias" e que o cenário visto no exterior, em meio à escalada da extrema-direita, com a invasão do Capitólio nos Estados Unidos e ameaças de mortes a autoridades eleitorais no México, "não pode nos ser alheio".

"É um alerta da possibilidade de regressão a que estamos sujeitos e que infelizmente pode infiltrar-se em nosso ambiente nacional, o que, a rigor, já ocorreu", disse.

Em abril, o TSE convidou a União Europeia para acompanhar as eleições no Brasil, entretanto, o gesto teria sido recebido com irritação por parte do Palácio do Planalto, o qual, por meio do Itamaraty, publicou uma nota rejeitando a ideia. Em seguida, a convocação foi desfeita pelo tribunal.

Nas declarações desta terça-feira, porém, Fachin deixou clara a mudança de postura do TSE ao anunciar o convite "a diversas autoridades europeias e de outros continentes que tenham interesse em acompanhar as eleições".

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