Um álibi nada perfeito põe em xeque clã Bolsonaro e caso Marielle


(Foto: Agência Brasil)

Bruno Paes Manso, jornalista e pesquisador no Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo, apontou, em entrevista à TV 247, uma inconsistência grave na versão corrente sobre o assassinato de Marielle Franco, em 14 de março de 2018.

Uma “pergunta incômoda” é levantada quando se analisa a história de que Jair Renan Bolsonaro, filho do chefe de governo, teria namorado a filha de Ronnie Lessa, acusado de matar Marielle.

Na época, o delegado responsável pela Divisão de Homicídios da capital fluminense, Giniton Lages, desconsiderou a relação entre Jair Renan e a filha de Ronnie Lessa, dizendo que o fato não seria “importante agora”. Jair Bolsonaro e Lessa moravam no mesmo condomínio na Barra da Tijuca, no Rio, e o clã encabeçado pelo chefe de governo mantinha uma ligação com o sargento da reserva da Polícia Militar.

O jornalista apontou que, para explicar o registro de telefonemas entre a casa do clã e a de Ronnie Lessa, a história do namoro surgiu como um álibi.

“Essa história surgiu porque se identificou uma série de trocas de telefonemas entre a casa da família Bolsonaro com o Ronnie Lessa, que é o autor do caso da morte da Marielle. O álibi disso foi por causa do Jair Renan ter namorado a filha do Ronnie Lessa. Esse seria um dos motivos para haver ligação”, disse.

Contudo, ele lembra que “a filha do Ronnie Lessa morava nos Estados Unidos nessa época, inclusive ele dá esse depoimento quando ele foi preso”.

O apontamento levanta uma série de questões: “mas o fato de eles não terem namorado deixa uma pergunta ainda mais séria no ar: então, por que eles se telefonavam? O que eram esses telefonemas, se não era o Jair Renan que namorava a filha? Qual é a desculpa então?”. “Isso é o mais mal explicado da história e que, de alguma maneira, coloca as duas casas em contato”, disse.


Fonte: 247

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