Um sonho possível: vacinação em janeiro no Brasil


(Foto: USP)

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, disse nesta terça-feira (3) acreditar que a chinesa CoronaVac encontra-se "muito próxima de ser registrado", podendo estar pronta para vacinação em janeiro.

Produzido pelo laboratório Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, em São Paulo, o imunizante está na fase três de testes. No entanto, ao anunciar o calendário do plano nacional de imunização contra o coronavírus, na terça-feira (1º), o Ministério da Saúde não citou a CoronaVac entre as candidatas ao uso no país.

"Poderemos iniciar um programa em janeiro, acredito, de vacinação. E espero [que] com o apoio do ministério, apesar de todas essas declarações que não citam nominalmente a vacina do Butantan", disse o diretor do instituto, segundo o portal G1.

Para o médico sanitarista Gonzalo Vecina Neto, ex-diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a vacina, realmente, "tem tudo para estar pronta".

"Todas essas vacinas que estavam sendo testadas em território brasileiro têm tudo para estarem prontas no final de dezembro e início de janeiro, não há dúvida disso", disse à Sputnik Brasil o professor da Faculdade de Saúde Pública da USP.

Importantes fábricas de vacina no Brasil

De acordo com o governo federal, existem quatro estudos clínicos de vacinas no Brasil: além da CoronaVac, da Universidade de Oxford, em parceria com a farmacêutica britânica AstraZeneca; da Jansen-Cilag, divisão da farmacêutica americana Johnson&Johnson; e da americana Pfizer, em parceria com o laboratório alemão BioNtech.

Além disso, os governos do Paraná e da Bahia assinaram acordo para a realização de testes com a vacina russa Sputnik V.

Para o ex-ministro da Saúde José Gomes Temporão, o Brasil tem forte tradição em polícias de vacinação, com um dos melhores programas de imunização do mundo, com bons exemplos no combate à H1N1, à poliomielite e à varíola, por exemplo.

"O Brasil usa 300 milhões de doses por ano no nosso programa de vacinação, temos duas das mais importantes fábricas de produção de vacina em termos globais, o Butantan e a Fiocruz [no Rio de Janeiro", afirmou à Sputnik Brasil o médico sanitarista.

'Absoluta falta de coordenação', diz Temporão

No entanto, ele julga que a falta de coordenação, estratégia e a excessiva militarização do ministério, com "perda no foco da saúde pública", podem contribuir para o atraso do calendário de vacinação no país.

"O que estou percebendo é a absoluta falta de condução e coordenação da pasta em relação a todo esse processo, que está sendo mal dirigido e planejado desde o início. Como nós temos quatro vacinas sendo testadas no Brasil, há muitos meses nós deveríamos estar trabalhando uma integração, uma articulação dessas vacinas, no sentido de compor um portfólio de vacinas candidatas, que tão logo recebessem o registro da Anvisa, pudessem ser colocadas à disposição da população brasileira", disse Temporão, que esteve à frente da pasta de Saúde de 2007 a 2011.

São Paulo pode iniciar vacinação antes do país

Apesar do diretor do Instituto Butantan acreditar que a CoronaVac estará pronta em janeiro, ao anunciar o calendário com as quatro fases de imunização contra a Covid-19, o Ministério da Saúde disse que o processo de vacinação só deve começar em março.

Para Temporão, será possível um cenário em que São Paulo inicie a vacinação antes do restante do país.

"Podemos correr o risco de São Paulo decidir imunizar sua população com a vacina do Butantan, com o governo federal desconsiderando o restante do contexto nacional, o que seria um disparate total. É um risco que se corre diante da falta de pulso, coordenação e legitimidade do ministro Eduardo Pazuello, que é totalmente estranho à saúde pública", afirmou Temporão.

Registro emergencial

O diretor do Butantan, Dimas Covas, também disse que a CoronaVac pode, inclusive, obter o registro sanitário completo, e não apenas o emergencial, até janeiro.

Na quarta-feira (2), a Anvisa disse que vai aceitar empresas desenvolvedoras de vacinas contra a Covid-19 solicitarem o uso emergencial no Brasil. Neste caso, a aplicação do imunizante é permitida, mas a vacina não pode ser vendida para a iniciativa privada.

O médico Gonzalo Vecina Neto acha que, devido à quantidade necessária de testes para o formalizar o registro padrão, até janeiro só seria possível obter o registro emergencial. Isso, no entanto, não impediria a realização de um plano de vacinação.

Resistência à vacina chinesa

Sobre o fato do ministério não ter mencionado a vacina chinesa ao anunciar o calendário - o presidente Jair Bolsonaro vem criticando a CoronaVac e chegou a dizer que não compraria o imunizante - o especialista afirma que existem formas de pressionar o governo para usá-lo.

"Se, por acaso, a Anvisa atrasar a concessão de um registro, emergencial ou não, se com a documentação apresentada resolver procrastinar a emissão do registro, a lei será acionada e a agência terá que cumprir com sua obrigação", disse o ex-diretor e um dos fundadores da Anvisa.

Já o ex-ministro José Gomes Temporão afirma que o presidente diz "sandices o tempo todo", um "motivo de vergonha para o Brasil", mas que elas devem ser "ignoradas".

"Se a vacina obtiver registro da Anvisa, tem total condição de ser colocada à disposição dos cidadãos. Temos longa experiência em campanhas de vacinação em massa", disse o médico.


Fonte: Agência Sputnik

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