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'Uma aberração jurídica', diz procurador sobre caso Maduro nos EUA


Em 3 de janeiro, EUA atacaram Caracas e sequestraram o presidente Nicolás Maduro e esposa (Fotos Publicas)
Em 3 de janeiro, EUA atacaram Caracas e sequestraram o presidente Nicolás Maduro e esposa (Fotos Publicas)

O procurador‑geral da Venezuela afirmou que o processo contra Nicolás Maduro nos EUA é uma "aberração jurídica sem precedentes", denunciou acusações "falsas e incoerentes" e defendeu a retomada da diplomacia entre Caracas e Washington para evitar a escalada de tensões.


O governo venezuelano voltou a criticar duramente o processo conduzido pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos contra o presidente Nicolás Maduro. Segundo o procurador‑geral da Venezuela, Tarek William Saab, o caso representa "uma violação extrema do direito internacional" e configura um julgamento "absolutamente político".


Em entrevista à Sputnik, ele relembrou o "fatídico 3 de janeiro", marcado por um bombardeio que, segundo Caracas, teria como objetivo sequestrar Maduro, resultando em mais de 100 mortos entre civis e militares. "Ali ficou pulverizado o direito internacional", declarou.


O procurador questionou o fato de Maduro e sua esposa estarem sendo julgados por autoridades norte‑americanas. "Não é um tribunal internacional que está julgando o presidente Nicolás Maduro e a primeira‑dama. É o Departamento de Justiça dos Estados Unidos", afirmou. Para ele, isso constitui "uma aberração jurídica que não tem antecedentes no mundo".


Saab também criticou as acusações presentes no processo. "Tive acesso ao expediente: são acusações totalmente falsas, inconexas e incoerentes", disse. Segundo o procurador, inicialmente se alegava que Maduro liderava o chamado Cartel de los Soles, mas "o próprio Departamento de Justiça depois reconheceu que tal cartel não existe".


Outro ponto contestado foi o uso recorrente do nome Tren de Aragua em denúncias nos EUA. "Esse grupo foi desmantelado na Venezuela. Há quase 100 de seus membros presos aqui", afirmou. Para ele, a associação automática de qualquer crime cometido por venezuelanos ao grupo serve apenas "para alimentar uma narrativa construída durante anos".


O procurador classificou o processo como "uma ação brutal à margem da lei, sem base jurídica, sem provas e sem perícia". Ele argumentou que a legislação norte‑americana proíbe operações desse tipo sem autorização do Congresso e sem que haja estado de guerra, e destaca que "a Venezuela não estava em guerra com os Estados Unidos".


Apesar das críticas, o procurador defendeu a retomada do diálogo bilateral. "O que proponho é que se restabeleça a diplomacia de paz", afirmou.


Da Sputnik Brasil, parceira do TODA PALAVRA

 
 
 

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