Unesco: denúncia de teste com proxalutamida é das mais graves


(Reprodução)

A Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) considera a denúncia de 200 mortes de voluntários de pesquisa clínica com a proxalutamida feita no Amazonas uma das infrações éticas mais graves da história da América Latina. A informação foi publicada pela Folha de S.Paulo.

A denúncia foi feita pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) à Procuradoria-Geral da República no mês passado. A Conep é responsável por regular a participação de seres humanos em pesquisas científicas no Brasil.

O uso da droga para combater o coronavírus foi defendido pelo presidente Jair Bolsonaro desde março deste ano, ainda que não houvesse eficácia comprovada contra a covid-19. No começo do mês passado, o uso da substância em pesquisas científicas também foi vetado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Na época, um grupo de pesquisadores havia apresentado dados de um estudo com a proxalutamida feito no Amazonas. Os testes não foram detalhados em artigo científico ou analisados por cientistas independentes, mas o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho 03 do presidente, fez uma publicação em rede social exaltando a pesquisa como se fosse a cura para a covid-19.

De acordo com a bula, a proxalutamida é um medicamento que impede que células do corpo reconheçam os hormônios andrógenos (masculinos). O fármaco é estudado para ser um completo no tratamento de câncer de próstata e de mama, mas ainda não é aprovado por nenhuma agência reguladora do mundo ou comercializado.

Segundo o comunicado da rede de bioética da Unesco, a denúncia sobre a morte de 200 voluntários incluiu graves violações dos padrões éticos de pesquisa com a proxalutamida e envolve também ocultação de informações sobre o estudo.

"É ética e legalmente repreensível, conforme consta do ofício da Conep, que os pesquisadores ocultem e alterem indevidamente informações sobre os centros de pesquisa, participantes, número de voluntários e critérios de inclusão, pacientes falecidos, entre outros", diz o comunicado.


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