URGENTE: China vê ato de guerra em visita de Pelosi a Taiwam


© Reprodução/Twitter/Nancy Pelosi

A visita de Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, a Taiwan nesta terça-feira (2) reacendeu tensões na China, que vê na atitude da líder norte-americana um ato de guerra e colocou suas Forças Armadas em alerta, anunciando que lançará "operações militares com alvos específicos", de acordo com o Ministério da Defesa chiinês.


O Ministério dos Negócios Estrangeiros da China declarou que a vista da americana é "uma violação severa do princípio de Uma Só China, infringe severamente a soberania e a integridade territorial da China, prejudica severamente a paz e a estabilidade no Estreito de Taiwan, e emite um sinal severamente errado às forças secessionistas da 'independência de Taiwan'".


Especialista ouvido pela Sputnik Brasil afirma que a viagem é um "contrassenso" e representa uma intervenção vedada pelo direito internacional.

Pelosi desembarcou no Aeroporto Internacional de Taiwan às 22h44 no horário local (11h44 de Brasília), em uma viagem que está sendo vista pela China como uma "grande provocação política" dos EUA.

Para Evandro Menezes de Carvalho, professor de direito internacional da Fundação Getulio Vargas (FGV) e da Universidade Federal Fluminense (UFF), a visita de Pelosi a Taiwan é um "contrassenso", na medida em que contraria o reconhecimento dos Estados Unidos do governo de Pequim. "A visita de Nancy Pelosi a Taiwan é uma intervenção externa em assuntos internos, e isso é proibido pelo direito internacional", disse Carvalho. O pesquisador destaca que as tensões entre o governo chinês e Taiwan são uma questão interna e não devem sofrer interferência externa. "É uma questão interna da nação chinesa. Historicamente, o conflito entre comunistas e nacionalistas não é sobre independência, mas sobre quem governa a China. Hoje 181 países, incluindo os EUA, reconhecem que quem governa toda a China é o Partido Comunista [da China, PCC], não Taiwan", destacou. "Quando falamos de China e Taiwan, não estamos falando de Estados soberanos; é uma questão de antagonismos políticos e que deve ser resolvida internamente." Carvalho disse que o ato de Pelosi se torna ainda mais reprovável por estimular ações de secessão. Logo que chegou em Taipé, a congressista dos EUA disse que Taiwan é uma "ilha de resiliência" diante de uma "agressão em aceleração" do PCC.

"A visita da nossa delegação deve ser vista como uma declaração inequívoca de que a América está do lado de Taiwan, nosso parceiro democrático, à medida que defende a si mesmo e sua liberdade", afirmou Pelosi. Nossa visita reitera que os Estados Unidos estão com Taiwan: uma democracia robusta e vibrante e nosso importante parceiro no Indo-Pacífico.

O especialista ouvido pela Sputnik acredita que uma movimentação de Taiwan pela independência daria argumento para uma ação militar chinesa na região — para garantir a unidade territorial — e retomaria a guerra civil que está parada desde 1949.

"Desde o ano passado, os Estados Unidos têm feito atividades militares na região, o que estimula um movimento de independência — que não é consensual nem mesmo em Taiwan", apontou. Carvalho disse acreditar que haverá uma resposta chinesa. O Ministério da Defesa da China disse que o Exército de Libertação Popular (ELP) está em alerta e conduzirá atividades militares nos próximos dias. "Essa resposta será no tempo deles e pode se dar de diversas formas. Pode ser um apoio maior à Rússia, uma intensificação de atividades militares na região e até mesmo uma antecipação dos planos de 'retomar' Taiwan", afirmou o especialista. O pesquisador ainda pontua que essa movimentação tem como efeito imediato o fortalecimento da liderança do presidente Xi Jinping.


Com Sputnik Brasil

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