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Usina Angra 3 tem previsão de ficar pronta em 2030

O Brasil conta hoje com duas usinas nucleares, localizadas em Angra dos Reis (RJ). O complexo, composto pelas usinas de Angra 1, Angra 2, já em funcionamento, e Angra 3, que está em construção, é propriedade da Eletronuclear, uma subsidiária da Eletrobras, e é responsável por cerca de 2% da matriz energética brasileira. Contudo, para o presidente da Eletronuclear, Raul Lycurgo, o Brasil tem potencial para duplicar esse número.

Há anos, faz parte da meta do governo brasileiro ampliar a participação nuclear na matriz brasileira. Lycurgo destaca que, embora pareça um aumento pequeno, de 2% para 4% a 5%, a ideia principal é "substituir as usinas de carvão", que são as mais poluidoras do meio ambiente.


"O mundo já viu que não vai chegar na meta, em 2050, de emissão dos gases de efeito estufa se ele não deixar de produzir energia elétrica pela queima do carvão e trocar por uma fonte limpa. E a fonte limpa que substitui adequadamente o carvão é a energia nuclear."


O carvão, explica o especialista, "produz energia firme, confiável, de base, mas é extremamente poluidora". Já o urânio produz energia elétrica "de maneira firme, confiável, segura e não poluente, porque gera zero de emissão de gases do efeito estufa".


Hoje Angra 1 tem uma capacidade de produção de 640 megawatts (MW), enquanto Angra 2 tem uma de 1.350 MW. Em comparação com grandes hidrelétricas do Norte do país, como Jirau e Santo Antônio, que têm capacidade de geração de 3.700 MW, isso pode parecer pouco.


Mas uma das grandes vantagens da energia nuclear, lembra Lycurgo, é que ela "funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, 365 dias por ano".


"Ela só para para fazer manutenção e troca de combustível", enquanto as hidrelétricas costumam operar seis meses na potência máxima "e em seis meses o rio não tem volume de água. Isso faz com que essa geração caia e se aproxime dos 2.000 MW gerados pelo complexo de Angra. E a nossa ocupa um espaço de menos de um quilômetro quadrado."

Brasil na vanguarda


Em termos de capacidade nuclear pura, não há como comparar o Brasil de hoje com potências do setor, como a Rússia, os Estados Unidos, a China e a França. Essa última, por exemplo, possui cerca de 70% de sua matriz energética oriunda de geração nuclear.


"O nuclear não vem aqui para ser o 100% da matriz elétrica, sob hipótese nenhuma", explicou o presidente da Eletronuclear. Ainda assim, ressalta Lycurgo, o Brasil está "na vanguarda nuclear do mundo".


"A gente não tem o tamanho que o mundo tem, óbvio, porque a nossa matriz elétrica é invejável. O Brasil tem a matriz elétrica mais limpa do mundo."


A matriz energética brasileira é extremamente variada, sendo composta por recursos advindos de fontes hídricas, eólicas, fotovoltaicas, de biomassas, de carbonetos, nucleares e de carvão.


Outra grande diferença desses países para o Brasil é que este possui uma grande reserva, quase inexplorada, de urânio e, graças à sua matriz energética diversa, não precisará depender dela para gerar grandes volumes de energia.


"O Brasil tem capacidade para ser o fornecedor de combustível nuclear do mundo. Isso é vanguarda. Não podemos perder essa janela de oportunidade."


O país é um dos únicos capazes de enriquecer urânio a 20% de pureza, nível utilizado para pesquisas científicas e propulsão nuclear. Geralmente, para uso em usinas, o enriquecimento é de 3% a 5%, enquanto para armamentos a pureza necessária é de 90%.

"O Brasil tem conhecimento técnico, o Brasil tem capacidade de enriquecer e produzir combustível nuclear", disse Lycurgo. "Óbvio, o fornecimento do combustível nuclear não é competência da Eletronuclear, é competência da INB [Indústrias Nucleares do Brasil], que seja muito claro isso. Mas a Eletronuclear faz parte desse motor nuclear todo", ressaltou.


"A gente está na vanguarda nuclear do mundo. O que a gente tem que focar é não perder as janelas de oportunidade, e a janela de oportunidade está aberta."


Países ao redor do mundo estão investindo em seus parques nucleares como parte dos esforços de descarbonização, ressaltou o entrevistado.


"Isso significa que o mundo, nos próximos cinco, dez anos, que é o tempo de maturação desse investimento todo, o mundo vai precisar de muito combustível nuclear Então a gente pode ter essa oportunidade de ser o grande exportador de um produto de altíssimo valor agregado."


Angra 3 ficará pronta em 2030


O complexo nuclear de Angra dos Reis, a Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto, está em processo de remodelação e construção. A vida útil de Angra 1, a primeira da central, termina, em tese, no final deste ano. Inaugurada em 1985, agora passa por um processo de modernização para garantir seu funcionamento pelas próximas décadas.


Na outra ponta do projeto de expansão da capacidade da central nuclear está a construção de Angra 3, que terá potência produtiva de 1.405 MW. E agora tem data para ser finalizada: até 2030, afirmou o presidente da Eletronuclear. A retomada de Angra 3 está ocorrendo de maneira diferente das tentativas passadas de dar continuidade à construção da usina — quando a própria Eletronuclear fazia os contratos —, destacou Lycurgo, justamente para evitar o "anda e para, anda e para" que marcou a obra.


Para que o projeto "deslanche" de uma vez, ele está sendo feito sob supervisão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que entregará seu estudo no início do segundo semestre.


"Contrata-se o BNDES como um banco que tem expertise, conhecimento, [que é] extremamente tarimbado, talvez o banco que tem mais experiência em obras complexas de infraestrutura no Brasil."


O BNDES vai estudar tudo, desde a modelagem dos contratos à estruturação do financiamento, que deve ser na casa de R$ 20 bilhões.


Uma vez entregue, o estudo do BNDES ainda precisará ser aprovado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e pelo Conselho Nacional de Pesquisa Energética (CNPE). "Isso deve ocorrer até o final do terceiro trimestre de 2024."


"Isso ocorrendo, conforme esse calendário, possivelmente a licitação internacional esteja concluída em meados de 2025, com o contrato deslanchando de 2025 em diante. E aí cinco anos para ser entregue essa usina."


Para isso será feito um contrato do tipo "turnkey", ou "chave na mão", como é conhecido em português. Isso quer dizer que a empresa contratada deve entregar a obra pronta para uso imediato.


"Até pelo tamanho da operação", diz Lycurgo, provavelmente a empresa contratada será uma "EPCista", isto é, um consórcio de firmas, cada uma com a sua especialidade, como construção civil, instalação dos equipamentos, comissionamento, testes, etc. "Ninguém tem a competência para fazer todas as fases sozinho."


"Ou seja, você contratou aquele consórcio que é para fazer todas as etapas da obra para te entregar."


"É como se você tivesse contratado uma empresa para construir uma casa, mas ela constrói a casa e a entrega mobiliada, faz fundação, faz acabamento, faz instalação de parte elétrica, televisão, faz tudo."


Fonte: Sputnik

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