Venezuela, o caos em Manaus e o valor da dignidade humana


(Foto: Reprodução)

Por Wevergton Brito Lima*

O drama da população em Manaus ficará marcado na história já trágica da Covid-19 no Brasil. Faltou o básico, oxigênio, enquanto sobra cloroquina, desespero e falácias difundidas pela máquina de propaganda enganosa a serviço do presidente Jair Bolsonaro.

Aliás, tirando pelo general Pazuello, o exército de fake news é o único exército que parece ter alguma eficácia prática no Brasil, ainda que para o mal.

Quem primeiro se mobilizou diante da tragédia manauara não foi o Governo Federal, cujo presidente e seus acólitos, mais uma vez, tiraram o corpo fora.

Ironicamente, foi o perseguido, apedrejado, sancionado, insultado, governo do presidente Nicolás Maduro quem, imediatamente e sem vacilação, estendeu a mão solidária ao povo brasileiro, colocando em primeiro lugar a vida humana e passando por cima de toda sorte de provocações do incrivelmente inepto e criminoso governo brasileiro.

E os venezuelanos e seu governo realmente tiveram, de fato, que passar por cima de muita coisa para que prevalecesse o sentimento humanista. Afinal, boa parte das enormes dificuldades cotidianas enfrentadas pela população venezuelana decorrem de sanções e bloqueios impostos pelos EUA e apoiados entusiasticamente pelo presidente brasileiro.

Mais do que isso, Bolsonaro e seu esotérico chanceler eram, sabidamente, defensores de uma agressão armada contra a Venezuela, solução que Bolsonaro pregou abertamente em mais de uma oportunidade.

Em conjunto com o moribundo governo Trump e outros parceiros de extrema-direita da região, como a Colômbia, Bolsonaro participou da fracassada manobra da falsa “ajuda humanitária” de 23 de fevereiro de 2019, que visava provocar um conflito na fronteira e justificar uma invasão armada contra o país vizinho.

Em obediência a seu amo em Washington, o capacho que utiliza a faixa presidencial brasileira reconheceu o desmoralizado Juan Guaidó como presidente da Venezuela e tentou, extraoficialmente (através da invasão criminosa da embaixada venezuelana em Brasília) e por meios oficiais, expulsar do Brasil os diplomatas venezuelanos, no que foi impedido pelo STF.

Mesmo com tudo isso, no dia 07 de agosto de 2020, por orientação de Nicolás Maduro, o Chanceler venezuelano, Jorge Arreaza, escreveu uma carta ao seu homólogo brasileiro onde dizia, entre outras coisas:

“(…) a região da América Latina e do Caribe está passando por uma perigosa encruzilhada, tornando-se o epicentro global do crescimento da pandemia. Não há espaços ou desculpas para atrasar nossa responsabilidade histórica de enfrentar e reverter os terríveis efeitos deste vírus. É urgente uma ação coordenada entre nossos países, que compartilham uma extensa fronteira comum, bem como uma longa tradição de laços familiares, culturais, sociais e econômicos, especialmente nas vastas áreas limítrofes (…) Ministro, o Covid-19 não distingue ideologias ou tendências políticas (…) O mundo deve se unir para enfrentá-lo”.

A carta ficou sem resposta e menos de um mês depois o chanceler bolsonarista voltou ao ataque contra a Venezuela divulgando uma nota onde convocava o mundo a “unir-se para dar fim a esse regime atroz”.

Lembrando que em abril de 2020, o líder de Bolsonaro, Donald Trump, ao apertar as coisas em seu país em relação ao coronavírus, disse, textualmente, que não queria “outros países conseguindo máscaras”, pois podia faltar para o seu. Agora, o tal avião que iria para a Índia buscar vacina adiou “sine die” a viagem, pois o governo de extrema-direita do país asiático disse que não tem como atender ao Brasil.

Mas quando um governador (bolsonarista também, por falar nisso), Wilson Lima, solicita de forma desesperada ajuda à Venezuela, o governo bolivariano responde positivamente, sem hesitar. Em declaração ao Portal UOL, nesta sexta-feira (15), Wilson Lima diz “que a Venezuela foi o único país que se prontificou a ajudar o estado, após a crise pela falta de oxigênio”. E de fato o foi, autorizando o envio do produto venezuelano por uma multinacional brasileira presente na indústria de gases medicinais do país.

Ironicamente, à falsa ajuda humanitária de 23 de fevereiro de 2019, a Venezuela contrapôs, sem pedir nada em troca e sem intenções encobertas, uma ajuda humanitária verdadeira e urgente.

Franz Kafka dizia que a solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana.

Podemos dizer que a frase também é verdadeira em relação ao seu sentido oposto: a ausência de solidariedade é uma característica que expressa a falta de respeito pela dignidade humana, bastando observar Bolsonaro e seus seguidores para comprovar o acerto dessa tese.

O gesto da Venezuela, vítima de tantos preconceitos, jamais será esquecido, tanto por seu valor imediato, no que tange à salvação de vidas, quanto pelo valor pedagógico que, mais dia menos dia, despertará de sua letargia as consciências embrutecidas no ódio cevado pela ignorância.


* Vice-presidente do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz)

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