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Violoncelista é confundido com bandido pela segunda vez

O violoncelista da Orquestra da Grota, Luiz Carlos Justino, 26 anos, passou por mais uma situação humilhante e constrangedora nesta segunda-feira (22/9). Em setembro de 2020, ele, que é negro, foi preso injustamente e absolvido por total falta de provas pelo juiz Gabriel Stagi Hossman. Ontem, em Charitas, policiais militares levaram o músico para a delegacia, depois de um jogo de futebol com outros integrantes da orquestra. O motivo: o nome dele continua no sistema.

Arquivo pessoal / Reprodução

Na primeira vez em que foi detido, Justino, que já tocou ao lado do maestro João Carlos Martins e no programa do Luciano Huck, na TV Globo, passou quatro dias na prisão, após uma abordagem policial no centro de Niterói. A polícia alegou que havia um mandato de prisão contra ele por um suposto assalto, ocorrido no mesmo horário em que ele fazia uma apresentação. Como prova havia apenas uma foto.


Desta vez, foi levado novamente para a 79ªDP, onde ficou incomunicável e sem direito a telefonar, até que, horas depois, o erro foi constatado e ele, liberado.


Justino mora na comunidade da Grota e é pai de uma menina de 5 anos. Depois dos dias que passou na prisão vem enfrentando problemas psicológicos e fazendo terapia para superar o trauma.


Em nota, o Espaço Cultural da Grota, projeto social que abriga a orquestra, condenou o ocorrido.


Leia na íntegra:


" O Espaço Cultural da Grota se solidariza com o violoncelista Luiz Carlos Justino, músico profissional da Orquestra da Grota que, mais uma vez, foi arbitrariamente conduzido a uma delegacia de polícia após uma abordagem policial e impedido de se comunicar com o meio externo enquanto esteve sob custódia.


Justino já havia sido vítima desse mesmo tipo de ação em 2020, após ter sido erroneamente reconhecido como assaltante por uma fotografia sua que constava de um livro de reconhecimento mantido pela Polícia Civil, sem que ele jamais tivesse se envolvido em qualquer tipo de ocorrência. Essa aberração da Justiça o fez passar 5 dias preso e o obrigou a aguardar por 9 meses até que fosse absolvido sumariamente, num caso que teve ampla repercussão nacional. Mesmo após toda essa situação, no dia de ontem, Justino foi mais uma vez vítima dessa mesma prática enquanto voltava de um jogo de futebol com outros músicos da Grota.


Já estamos em contato com os advogados e oferecendo ao nosso querido Luiz todo o suporte necessário. Vamos até o fim na apuração desse caso, para que uma atrocidade dessas não se repita.Neste momento, Luiz está em casa, sendo amparado pela família e os amigos, se recuperando, mais uma vez, de uma grande injustiça".


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