Votos na Georgia colocam Biden a um pé da Casa Branca


(Foto: Arquivo/Agência Brasil)

Em meio ao clima de tensão pela indefinição sobre o resultado da eleição presidencial e a guerra judicial anunciada pelo presidente Donald Trump, o candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, Joe Biden, passou a ter pequena vantagem sobre o presidente republicano no estado da Geórgia, pela primeira vez na manhã desta sexta-feira (6), e também na Pensilvânia, colocando a Casa Branca ao seu alcance, enquanto outros estados indecisos mantêm a apuração.

Biden tem 253 votos contra 214 no Colégio Eleitoral que decide o vencedor da eleição, segundo a maioria das principais emissoras de TV - para outros veículos, a votação está em 264 para Biden e 214 para Trump. Se vencer a Geórgia e, consequentemente, conquistar os 16 votos do estado no Colégio Eleitoral, o ex-vice-presidente ficará a um voto de chegar aos 270 necessários para vencer a disputa.

Biden, de 77 anos, se tornará o próximo presidente se vencer na Pensilvânia, onde o democrata conseguiu virar, ou se vencer em dois estados do trio formado pela Geórgia, Nevada e Arizona. O caminho mais provável para a vitória de Trump parece cada vez mais estreito - ele precisa vencer na Pensilvânia e na Geórgia e também ultrapassar Biden em Nevada ou Arizona.

Biden tem uma vantagem de 917 votos na Geórgia, onde a apuração prossegue.

A mudança na liderança na Geórgia veio horas depois de Trump aparecer na Casa Branca para alegar de maneira falsa que a eleição está sendo "roubada" dele.

A vantagem de Trump na Geórgia vinha caindo constantemente. O estado, localizado no Sul, não vota em um democrata para presidente desde 1992.

No final dessa quinta-feira (5), o secretário de Estado da Geórgia afirmou que haviam 14 mil cédulas a serem apuradas.

O estado ainda terá de analisar os votos enviados por membros das Forças Armadas e por moradores do exterior, assim como votos provisórios depositados no dia da eleição, na terça-feira (3), por eleitores que tiveram problemas com seu registro ou identificação.

Biden também já vinha reduzindo de forma constante a vantagem de Trump na Pensilvânia. Sua desvantagem havia caído para pouco além de 18 mil votos no início desta sexta, e foi revertida no final da manhã com a contagem dos votos dessa região tradicionalmente dos democratas.

Ele também mantêm lideranças estreitas no Arizona e em Nevada. No Arizona, sua vantagem caiu para cerca de 47 mil votos hoje. Em Nevada, ele liderava por cerca de 11.500 votos.

Enquanto o país prendia a respiração aguardando um resultado da eleição presidencial, autoridades da Geórgia e da Pensilvânia expressaram otimismo de que encerrarão a apuração nesta sexta, enquanto Arizona e Nevada ainda devem levar dias para concluir as suas.

Tuítes 'enganosos' de Trump

Trump, de 74 anos, buscou retratar como fraudulenta a lenta apuração dos votos enviados pelos correios, que dispararam em popularidade devido aos temores de exposição ao novo coronavírus por meio da votação presencial. Conforme a apuração desse tipo de voto avançou, fortes lideranças iniciais de Trump em estados como Geórgia e Pensilvânia se esvaíram.

Historicamente, os estados demoram para apurar todos os votos após o dia da eleição.

Trump disparou uma série de tuítes nas primeiras horas desta sexta, reiterando as alegações infundadas que fez na véspera, na Casa Branca, em seu extraordinário ataque ao processo democrático norte-americano.

"Eu facilmente VENCI a Presidência dos Estados Unidos com os VOTOS LEGAIS DEPOSITADOS", escreveu ele no Twitter, sem oferecer qualquer evidência de que votos ilegais tenham sido depositados.

O Twitter rotulou a publicação como possivelmente enganosa, algo que tem feito com inúmeros tuítes de Trump desde o dia da eleição.

Guru de Trump e Bolsonaros banido do Twitter

O ex-conselheiro do presidente Donald Trump e da família Bolsonaro, Steve Bannon, foi banido do Twitter na noite de quinta-feira (5) após dizer que decapitaria o principal especialista em pandemia do governo, Dr. Anthony Fauci, assim como o diretor do FBI, Christopher Wray. Através de um vídeo, que também foi removido pelo Youtube, Bannon diz que Trump deveria ter um segundo mandato e afirma que o desligamento dos dois não seria o suficiente.

“Eu realmente gostaria de voltar aos velhos tempos da Inglaterra Tudor, eu colocaria as cabeças em lanças, certo, eu as colocaria nos dois cantos da Casa Branca como um aviso aos burocratas federais”, disse. “É assim que você ganha a revolução. Ninguém quer falar sobre isso. A revolução não foi uma espécie de festa no jardim, certo? Foi uma guerra civil”, completou.

Em 20 de agosto último, Bannon foi preso, acusado de passar a perna em doadores de uma campanha pela expansão do muro entre os Estados Unidos e o México, obra mais marcante do trumpismo.


Com informações da Agência Brasil

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